Curitiba Uma emenda antipática aos professores da rede pública foi o pivô de nova rebelião na base governista de Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa. O desentendimento começou por causa de projeto que constava na pauta de ontem, em segunda votação, instituindo a hora-atividade aos professores.
A proposta, assinada pelo presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), eleva de 10% para 20% o pagamento a título de hora-atividade aos professores estaduais uma promessa antiga do governo à categoria. O problema está em uma emenda que o Palácio Iguaçu quer aprovar, contra os interesses da categoria. Nenhum dos 31 deputados aliados quis arcar com o ônus de assinar a emenda, visto que é ano eleitoral e ninguém quer perder o voto dos professores, que somam cerca de 80 mil em todo o Paraná, conforme estimativa da APP, o Sindidato dos Professores.
Nos bastidores, a informação corrente é que em linhas gerais a emenda teria sido idealizada pela Secretaria da Fazenda, com o objetivo de reduzir o alcance do benefício, não contemplando todos os professores. Outro ponto de discórdia em relação ao texto seria a definição de hora-atividade. O Palácio Iguaçu também queria mexer nessa conceituação. A redação diz que ''é o período em que o professor desempenha funções de docência, reservado a estudos, planejamento, reunião...'' e outras.
Brandão explica que não há motivo para a equipe econômica de Lerner contestar seu projeto, porque ele não onera os cofres estaduais. O deputado explica que a hora-atividade não é um aumento, e sim garantia de remuneração por disponibilidade.
A Folha apurou que o deputado Divanir Braz Palma (PFL), por não ser candidato à reeleição, foi abordado para encampar a emenda, mas recusou. Braz Palma, apesar de não concorrer a nenhum cargo eletivo em 6 de outubro, não quer deixar a Assembléia com esse desgaste no currículo.
Como ninguém se dispôs a assinar a emenda do Palácio Iguaçu, a base governista esvaziou o plenário e impediu a votação da matéria. Graças à manobra, o Palácio Iguaçu ganha tempo e busca uma solução até segunda-feira, quando o projeto deve voltar à pauta.
O vice-líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), disse desconhecer a revolta da base. A administração da crise está mesmo nas mãos do líder governista, Durval Amaral (PFL), com quem a Folha não conseguiu contato na tarde de ontem.

mockup