Base governista boicota votações
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Maria Duarte<br>De Curitiba 
Faltando apenas um dia para a última sessão do ano, a base de sustentação ao governo na Assembléia Legislativa se recusa a votar os projetos de interesse do Palácio Iguaçu. A crise impediu que fosse votado ontem o novo plano de saúde dos servidores públicos. Os deputados aliados estão rebelados porque as emendas deste ano não foram cumpridas e os recursos de convênios não estão sendo liberados.
O problema perdura há meses. O governo prometeu cumprir a execução das obras no interior, mas informou que novos convênios só serão possíveis em janeiro do próximo ano.
Depois de uma série de discussões, acordo entre as bancadas de situação e oposição retirou o plano de saúde da ordem do dia de ontem. O projeto volta hoje à pauta. A sessão será bastante conturbada. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), quer colocar em votação também as novas regras para o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), os aumentos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o orçamento para 2002. Ontem, diversos aliados acreditavam ser difícil chegar a um consenso hoje em relação ao ICMS, considerado pela oposição uma das medidas mais impopulares do governo.
O aumento do ICMS encontra forte resistência dentro da bancada aliada. Depois de terem rejeitado o projeto popular que impedia a venda da Copel, os deputados não estão dispostos a assumir mais esse desgaste entre o eleitorado.
O deputado Ricardo Maia (PSDB) disse que o governo havia informado à base que apenas quatro produtos iriam subir. ''Não sabíamos que os aumentos seriam tão amplos'', protestou. Segundo ele, o governo precisa cumprir sua parte e enxugar a máquina administrativa. Maia frisou que o governo precisa fazer a reforma administrativa e cortar gastos. ''Prefiro abrir mão de emendas no ano que vem do que aprovar os reajustes do ICMS. O desgaste da Copel já foi bastante'', disse Maia.
Amaral espera que a secretaria da Fazenda encaminhe o percentual do aumento das alíquotas da telefonia, bebidas alcoólicas, cigarros, e demais produtos que vão compensar a manutenção da alíquota do ICMS do óleo diesel em 25%. O aumento pode ser para 27% ou 28% (hoje esses produtos têm alíquota de 25%). Para o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), esses itens poderiam ter ICMS de 30%, desde que a energia elétrica rural não seja reajustada. O governo tem dito que não vai mexer no ICMS da energia rural.


