Os aliados do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), na Câmara Municipal apostam que conseguirão hoje pelo menos 25 votos favoráveis ao chefe do Executivo, na votação do pedido de cassação do seu mandato. Para o impeachment, são necessários, no mínimo, 37 votos dos 55 vereadores, em votação secreta. Se a previsão se confirmar, a oposição terá apenas 30 votos a favor do impeachment. Os 55 vereadores votarão hoje o pedido de cassação.
O processo aponta denúncias de irregularidades administrativas contra o Executivo. Entre os vereadores, a aposta é que Pitta deve conseguir os votos necessários para arquivamento do processo e permanecer até o fim do mandato. A votação foi o principal assunto da sessão de ontem.
Os parlamentares votarão as 11 denúncias feitas pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que deu origem ao processo. No relatório apresentado anteontem, a Comissão Processante (CP) que analisou as denúncias recomendou a cassação do mandato por dois itens: a viagem feita por Pitta e a ex-primeira-dama Nicéa Pitta à França, durante a Copa do Mundo de 1998, e o suposto empréstimo de R$ 800 mil do empresário Jorge Yunes ao prefeito.
‘‘Sinto que a base governista está bem articulada’’, afirmou o vereador Miguel Colasuonno (PMDB), um dos principais articuladores políticos de Pitta na Câmara. O esforço do governo em manter-se no cargo incluiu, segundo governistas, trocar votos por obras em redutos eleitoriais do grupo aliado.
‘‘Não adianta nada tirar o Pitta, pois quem irá para o lugar?’’, afirmou ontem o vereador Edivaldo Estima (PPB). O parlamentar foi um dos agraciados com aplicação de verbas do Orçamento em obras na zona sul, principal reduto eleitoral dele.
Os governistas também apostam na relação tensa entre o vice-prefeito Régis de Oliveira (sem partido) e a Câmara, durante o período em que ele assumiu o cargo, por determinação da Justiça. A principal queixa é que Régis se recusou a negociar com os vereadores, até mesmo na composição do governo.
Nos bastidores da Câmara, vereadores afirmaram que Régis estaria disposto a recuperar o tempo perdido e teria ensaiado um contato com parlamentares. As articulações estariam sendo conduzidas pelo ex-secretário do Planejamento Fernando Fantauzzi. A principal promessa teria sido um governo de composição com a Câmara, caso Régis assuma novamente a Prefeitura. O principal alvo das negociações seria o PMDB, com dez parlamentares.
Os peemedebistas recusam-se a comentar o assunto. ‘‘A votação secreta é imprevisível’’, afirmou o líder do PMDB, Jooji Hato. Régis nega a articulação política. ‘‘Minha principal ocupação tem sido o contato com a população em meu escritório e visitas à periferia.’’ Mas ele afirma ter condições de assumir novamente o cargo. Fantauzzi não foi localizado pela reportagem.
Entre os vereadores da oposição, o clima era de desânimo. O motivo foi a possibilidade de esgotamento dos recursos jurídicos para que a votação fosse aberta, única esperança para conseguir aumentar o número de votos pró-impeachment.

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