Temendo uma rebelião do Ministério Público (MP) e reação negativa da opinião pública, líderes governistas no Congresso e parte do núcleo de articulação política do governo decidiram pelo ‘‘abrandamento’’ do discurso contra os ‘‘excessos’’ de procuradores. Ministros e parlamentares governistas foram escalados para dar declarações de apreço ao MP e negar que exista intenção de limitar a atuação de procuradores e da imprensa.
‘‘O Ministério Público e a imprensa têm de ser livres, é preferível o abuso ao silêncio’’, disse o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira. ‘‘A liberdade e a democracia são fortes o suficiente para coibir eventuais excessos’’, disse o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). Os dois afirmam que só está se condenando ‘‘excessos’’ e ‘‘declarações precipitadas’’.
A opção pela estratégia mais branda de enfrentamento com o MP obrigou o arquivamento, ao menos temporário, de dossiês e perguntas preparadas pela ala governista que pretendia ‘‘desmoralizar’’ os procuradores da República no Distrito Federal Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb no depoimento na Subcomissão do Judiciário do Senado. ‘‘Para quê isso, se no depoimento eles fizeram uma autocrítica e reconheceram os excessos?’’, avaliou Arruda.
Também baseados em recortes de jornais com denúncias contra outros integrantes do governo que até hoje não foram comprovadas, os governistas haviam se preparado para tentar mostrar que a dupla de procuradores é sensível aos ‘‘holofotes’’. Entre os casos, denúncias contra os ex-ministros da Defesa Élcio Alvares e do Esporte e Turismo Rafael Greca.
A mudança de estratégia do governo foi definida na quarta-feira à noite, véspera do depoimento dos procuradores. Arruda assumiu o comando de uma operação no Senado e contou com o apoio do líder do PSDB, Sérgio Machado (PSDB-CE). ‘‘Para quê adotarmos uma postura agressiva, se sabemos que as acusações estão baseadas em recortes de jornal e que os próprios procuradores acabarão revelando isso?’’, questionou Arruda. A articulação tem o apoio do Planalto.

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