Curitiba - Os deputados da base aliada vazaram ontem documentos da Junta Comercial do Paraná que ligam o deputado estatual Valdir Leite (PPS) a uma empresa na área de limpeza que atuou no Porto de Paranaguá. O vazamento foi uma resposta à provocação feita por Leite anteontem, ao defender-se de críticas formuladas pelo governador Roberto Requião (PMDB). Sem citar nomes, Requião insinuou que Leite, mentor da CPI do Porto, era proprietário de uma das empresas de limpeza com atuação no porto. Leite desafiou o governador a apresentar provas e disse que deixaria a CPI caso ficasse comprovada sua ligação.
As cópias de um contrato social, no qual aparece o nome de Leite, e uma ficha cadastral individual de acesso ao porto também no nome dele, foram distribuídas na Assembléia Legislativa pelos aliados de Requião. No contrato social, o deputado aparece como integrante da empresa Serly da Silva e Cia Ltda. As atividades da empresa iniciaram em fevereiro de 2002, durante o governo Jaime Lerner (PSB). Em maio de 2003, a empresa firmou um contrato para prestação de serviço de limpeza do Corredor de Exportações do porto. O contrato entre a Serly da Silva (identificada, logo abaixo do nome Serly da Silva, como Prest Serv Prestadora de Seviços) foi firmado através da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap).
A Câmara Setorial de Terminais da Aciap confirmou ontem à Folha que a associação contratou a empresa do irmão do deputado Leite para fazer a limpeza da área comum do Corredor de Exportação. A Aciap faz contratos com outras empresas também para serviços de manutenção no porto, por exemplo, após uma tomada de preços. A idéia é agilizar alguns serviços. Leite deixou a sociedade na empresa de limpeza em setembro de 2003, durante o governo Requião, passando suas quotas a seu irmão, fato confirmado pelo próprio deputado.
Leite, que disse que não vai deixar a CPI, frisou que a empresa da qual seu irmão faz parte não tem contrato com o porto. Ele disse que o contrato foi feito com a Aciap. E explicou que o CNPJ da empresa contratada (Prest Serv) para fazer a limpeza no Corredor de Exportação (02586312/0001-54) não é o mesmo da Serly da Silva (CNPJ 04944712/0001-10). Para Leite, o contra-ataque do governo é uma tentativa de desqualificar as denúncias da CPI. Sobre a ficha cadastral, Leite explicou que o documento foi feito para que ele pudesse entrar no porto. Leite prometeu encaminhar denúncias ao Ministério Público (MP) e ao Tribunal de Contas (TC) sobre as últimas empresas responsáveis pela limpeza no porto: a Waleservice e a Máxima.
A briga entre o governo e Leite, ex-aliado de Requião, começou no início do ano, quando o deputado propôs a instalação da CPI, que tem como alvo a gestão de Eduardo Requião, irmão do governador, à frente da Appa. Na semana passada, os deputados visitaram o silo público do porto, e criticaram a quantidade de sujeira encontrada, o que incluiu pombos mortos misturados a fezes. Segunda-feira, ao retornar de uma viagem de dez dias ao Canadá, Requião classificou a CPI de ridícula e denunciou que Leite teria ligação com uma empresa que presta serviços de limpeza ao porto.

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