Curitiba - A base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná pretende aprovar os seis projetos de lei do chamado "pacotaço anticrise" já na próxima terça-feira, um dia após eles serem levados ao plenário pela primeira vez. A informação foi confirmada ontem pelo próprio presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB). A ideia é fazer as quatro votações necessárias, além de uma reanálise das matérias pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em pouco mais de 24 horas.
"Nós faremos uma sessão normal na segunda-feira, convocaremos uma extraordinária para que os parlamentares possam apresentar as emendas. Na terça-feira a CCJ analisa [as modificações] e incluo na pauta também de terça-feira. Faremos sessões ordinárias e extraordinárias se forem necessárias para aprovarmos a mensagem", contou o tucano. Os textos originais tratam de questões como criação de taxas, autorização para estatais ou empresas de economia mista venderem ações sem passar pelo crivo da AL e adequações no Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais.
Uma das preocupações do Executivo é que as medidas possam ser aplicadas em 1º de janeiro de 2017, respeitando-se a noventena. Traiano disse também que os deputados têm a intenção de encerrar o processo o mais rápido possível devido à proximidade das eleições, marcadas para 2 de outubro. "É normal. [Eles] dependem dos candidatos a prefeito e vereadores do interior. Querem trabalhar nas campanhas. Essa é uma pauta que tem de ser limpada", justificou.
De acordo com Tercílio Turini (PPS), o "fatiamento" do pacote permitiu que os parlamentares analisassem as propostas com mais profundidade, inclusive fazendo audiências públicas. Ele criticou, por outro lado, o pouco tempo para apreciação das emendas. "O governo mandar uma matéria dessas durante o período eleitoral é porque quer arrecadar mesmo. Lógico que quer agora votar o mais rápido possível, porque quanto mais tempo demora, maior o desgaste", afirmou. Ele falou que a bancada independente se reunirá antes da plenária, de forma a analisar as medidas uma a uma e se decidir.
Na avaliação do oposicionista Nereu Moura (PMDB), a gestão tucana vai novamente passar o "rolo compressor" na AL. "Ele [Beto] dividiu o pacotaço da maldade para tentar amenizar o desgaste que estava enfrentando na opinião pública. Quer reeditar a famigerada comissão geral, fazer tudo às pressas. Uma matéria de grande envergadura e repercussão não poderia jamais ser votada em duas sessões."
A reportagem também procurou o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), que não quis conceder entrevista.

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