Brasília - O Palácio do Planalto já está mergulhado nas negociações para fazer do senador Tião Viana (AC) o próximo presidente do Congresso Nacional. A tarefa dos interlocutores do presidente Lula é convencer o senador Renan Calheiros (AL) a não rachar o PMDB e a apoiar o petista. A contrapartida para a conquista dos votos dos senadores peemedebistas (21 parlamentares) é o apoio da bancada de deputados do PT (79 parlamentares) à candidatura de Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara.
Parte dessa tarefa ficou a cargo do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que tinha um jantar agendado para a noite de ontem com o próprio Renan. Há outros nomes na bancada do PMDB do Senado que resistem à pretensão de Tião Viana assumir o comando do Senado e do Congresso - como Valter Pereira (PMDB-MS) -, mas o caso de Renan é considerado ''mais sensível'' diante da candidatura do petista do Acre.
A resistência de Renan tem a ver com o escândalo que levou o senador alagoano, exatamente um ano atrás, a se licenciar da presidência do Congresso e a entregar o cargo ao vice, Tião Viana. Renan avalia que Viana trabalhou para dificultar a sua permanência no cargo, de onde ele considerava mais fácil se defender da suspeita de ter usado o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel de uma casa à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. A outra suspeita era de que ele inflou a renda com ganhos na venda de gado para poder justificar os pagamentos à jornalista.
Renan foi absolvido da cassação pelo plenário do Senado. Em outubro do ano passado, ele se licenciou do cargo, Viana assumiu e disse que sua primeira missão seria ''pacificar a Casa'', adotando para isso ''procedimentos em favor da instituição''. Renan não gostou e entendeu, à época, que Tião Viana estava fazendo mais do que substituí-lo. Aconteceu o que Viana e a maioria da Casa previam: mesmo absolvido, Renan não teria mais condições político-institucionais de reassumir presidência - no dia 4 de dezembro, data do segundo julgamento pelo plenário, ele renunciou ao cargo antes da votação secreta e preservou o mandato.
Tendo Renan se comprometido com o apoio a Tião Viana, o Planalto avalia que a taxa de deserções da bancada de senadores peemedebistas será muito baixa e não comprometerá o acordo PT-PMDB em torno da divisão das presidências da Câmara e do Senado. Calculam também os líderes governistas que uma manifestação de unidade do PMDB do Senado em torno de Viana ajuda a candidatura de Michel Temer porque desestimula o lançamento de outras chapas nos partidos da base.

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