Brasília - Desta vez, a oposição foi direto ao ponto. Irritada com a manobra da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que adiou seu comparecimento ao Senado, a oposição aproveitou novo cochilo da base aliada e a convocou para depor na Comissão de Infra-estrutura sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A convocação de ontem foi o primeiro capítulo de uma blitz desencadeada pela oposição. Há dois novos requerimentos de convocação no arsenal de tucanos e senadores do DEM, uma para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Comissão de Meio Ambiente (CMA).
Há menos de duas semanas, a comissão convocou Dilma com outro objetivo oficial: o de ouvi-la sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobretudo sobre uma de suas obras, a usina de Belo Monte, no Pará. Na ocasião, a oposição avisou que interrogaria também sobre o dossiê. O depoimento para falar do PAC deveria ocorrer amanhã(16).
De iniciativa dos senadores tucanos, Flexa Ribeiro e Mário Couto, ambos do Pará, a aprovação dos requerimentos em votação simbólica só foi possível porque nenhum dos chamados aliados fiéis do governo acompanhava os trabalhos da comissão. A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), acusou os colegas de promoverem ''golpes'' para atrair a ministra Dilma ao Senado.
O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou cancelar a primeira convocação, alegando que o tema está fora das atribuições da comissão. Tentou ainda transformar a convocação do último dia 3 em ''convite'', figura esta que não existe no Regimento do Senadoe que, portando, só pode ser viabilizada mediante acordo de todos os membros da comissão. Ambos foram rejeitados pelo presidente da comissão, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), sob a alegação de tratarem-se de ''matérias vencidas''.
Surpreendido , Jucá anunciou que recorrerá ao plenário. Ele ameaçou ainda ''esterilizar'' as comissões presididas pela oposição, desfalcando sua composição com a retiradas de representantes da base do governo. O procedimento seria inédito.
A discussão na Comissão de Infra-Estrutura - convocada para sabatinar o candidato ao cargo de diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Mário Rodrigues Júnior - mostrou o empenho dos governistas em manter a ministra Dilma Rousseff longe de parlamentares da oposição. Em nome da boa convivência, Jucá pediu a Mário Couto que retirasse seu requerimento. Ele negou. Pelo Regimento, os 30 dias para a ministra atender a primeira convocação termina dia 5 de maio, mas o líder reiterou ontem que ela só estará disponível depois do dia 29. Ou seja, às vésperas do feriado de 1º de maio, numa quinta-feira, quando a Casa estará esvaziada.

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