Base aliada tenta protelar CPI dos Correios
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Folhapress 
Brasília - Os principais líderes governistas desembarcaram anteontem em Brasília dispostos a atuar em três frentes para minimizar o impacto da CPI dos Correios: restringir a investigação só à estatal, não abrir mão da relatoria ou da presidência da comissão e protelar ao máximo seu funcionamento. ''Vamos usar todos os espaços regimentais que temos à disposição. Se a tradição (de trâmite vagaroso) nos favorece, vamos usar a tradição. Além disso, vamos brigar para ter a presidência e a relatoria'', resumiu o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA).
O primeiro embate já foi adiado, já que a análise de um recurso anti-CPI na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, que estava prevista para hoje, ficou para quinta. O recurso argumenta que o requerimento de criação da CPI contraria a Constituição por estabelecer um foco de investigação amplo demais, sem ''fato determinado''.
Embora vá insistir no recurso, o governo joga suas reais fichas na tentativa de colocar limites, na CCJ, à investigação, que pode descambar para outras estatais de acordo com o temor do Planalto. ''O parecer acolhe ou não o recurso, a CCJ não tem o poder de determinar como a CPI vai operar'', contesta Alberto Goldman (SP), líder do PSDB na Câmara. Até a noite de ontem, a CCJ não havia recebido o recurso, assinado pelo deputado João Leão (PL-BA).
A intenção do governo é usar essa comissão como o primeiro obstáculo protelatório já que os partidos aliados ao governo só pretendem indicar os integrantes da CPI após a decisão da CCJ. Até ontem, PDT, PFL, PSOL e PSDB haviam indicado seus integrantes.
A estratégia de esperar pela CCJ foi combinada com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a quem cabe a indicação dos componentes da CPI diante da omissão das lideranças. ''A bancada do governo pode recorrer a isso, e eu não entendo que isso seja manobra protelatória'', afirmou Calheiros. Assim, ele não indicará os membros da CPI: ''Seria arbitrário eu dar um prazo para os líderes''.
Além disso, o governo não aceitava até ontem, a exigência da oposição de ter ou a presidência ou a relatoria da comissão. A idéia era fazer valer sua maioria na CPI e indicar os dois postos-chaves. ''Se isso ocorrer eles param o país, não se vota mais nada aqui no Congresso'', disse o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
O presidente Lula deve reunir hoje líderes governistas para definir os próximos passos.
CGU A Controladoria Geral da União (CGU) detectou indícios de irregularidades generalizadas nos Correios, informou ontem o subcontrolador-geral da União, Jorge Hage. Com base nos primeiros resultados, o órgão responsável pelo controle interno do governo decidiu mais do que triplicar o número de auditores encarregados de rastrear contratos, licitações e editais da empresa, além de apurar novas denúncias na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Na semana retrasada, a CGU havia indicado oito auditores para investigar denúncias nos Correios. Depois de uma primeira pesquisa em 600 contratos celebrados pela estatal, a Controladoria aumentou a equipe, com a indicação de mais 20 auditores. ''Foram detectados os primeiros indícios de fragilidades e irregularidades em praticamente todas as áreas da empresa'', adiantou Hage.


