Base aliada tenta mudar IPVA
Arquivo FolhaRossoni: ‘‘Estou intermediando. Não sei até onde podemos avançar’’A bancada que dá sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa vai tentar mexer pela segunda vez em menos de uma semana a mensagem do governo que institui a cobrança antecipada do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) no Paraná. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), se reúne hoje com o líderes das bancadas para fechar nova proposta a ser levada à apreciação do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Nos bastidores, corre a versão de que deputados aliados e de oposição costuram uma emenda que estende para julho o recolhimento do imposto.
Rossoni alega pressão das entidades contrárias à mudança. Atualmente, os R$ 130 milhões do IPVA são arrecadados ao longo de 10 meses, até dezembro e de acordo com o final da placa do veículo. Pela proposta original, o governo queria arrecadar o bolo nos três primeiros meses do ano, iniciando o pagamento do imposto em janeiro. A pedido dos governistas, Lerner recuou e aceitou pulverizar a arrecadação até maio, permitindo o parcelamento em até três vezes e concessão de desconto de 10% para pagamento à vista.
‘‘Estou intermediando uma negociação. Não sei até onde podemos avançar’’, disse Rossoni, que tenta hoje conversar com Gionédis. O secretário mostrava-se irredutível quanto a proposta de prorrogar até julho o pagamento. ‘‘Daqui a pouco vai ficar pior do que era’’, afirmou. Gionédis passou o dia em Brasília, discutindo a reforma tributária com outros secretários da Fazenda. ‘‘Isso (o IPVA antecipado) é uma coisa normal. Em Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro é assim. Nós mantivemos as alíquotas (1% para carros de passeio e de 2,5% para veículos de carga)’’, argumentou.
Gionédis disse, no entanto, que aguarda a abordagem do líder do governo para manifestar uma posição oficial. O diretor da Coordenação da Receita Estadual, João Manoel Lucena, fez coro ao discurso do secretário, em material distribuído pelo governo. Segundo Lucena, redução do prazo de arrecadação do IPVA é ponto positivo porque minimiza perdas, decorridas em outros anos pela ‘‘corrosão inflacionária’’.
Rossoni não foi o único governista a defender melhorias na mensagem do IPVA. O relator da matéria, deputado Algaci Túlio (PTB), não tem dúvidas de que é possível maior flexibilização. Assim como Rossoni, Túlio teme os reflexos políticos da medida. ‘‘Como está, traz muito desgaste para o governo. A vantagem vai parecer pequena diante do desgaste’’, analisou. O relator destacou a reação de diversas entidades como um sinal de que a matéria não é pacífica. Já manifestaram voto contrário ao IPVA antecipado a Fenabrave (Federação Nacional de Revendedoras de Veículos); a Faep (Federação da Agricultura do Paraná); o Setcepar (Sindicato das Transportadoras de Carga); e Fetranspar (Federação das Transportadoras de Cargas do Paraná).
A oposição continuava batendo na tecla de que o governo deve manter o calendário atual do IPVA, com leque ampliado de descontos para pagamento em parcela única. (L.D.)

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