Base aliada tenta bloquear CPI
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado 
Brasília, 30 (AE) - Em sintonia com o Planalto, partidos da base aliada vão tentar bloquear a criação de uma CPI para investigar o uso irregular de cartões corporativos de ministros e outros funcionários do governo. A idéia de uma investigação no Congresso ganhou força. Ontem, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) iniciou mobilização para que seja instalada uma CPI mista na Câmara e no Senado. As assinaturas começarão a ser recolhidas na volta dos trabalhos legislativos, a partir da Quarta-Feira de Cinzas. A proposta da CPI será o primeiro embate entre governistas e oposicionistas na volta aos trabalhos. O DEM e o PPS apoiaram a proposta do deputado tucano, enquanto líderes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontaram interesses políticos na iniciativa.
''O PMDB vai cobrar uma investigação rigorosa da CGU (Controladoria-Geral da União) e aguardar as conclusões. CPI é uma conflagração, ganha uma dimensão muito maior do que deveria. Não é o momento de falar em CPI'', disse o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). ''Eu esperava que neste novo período legislativo a oposição mudasse o modus operandi e fosse mais propositiva, como o País exige. Eles acharam que CPIs produziriam resultados (eleitorais) e perderam fragorosamente as eleições de 2006. A CGU e outros órgãos de controle interno dos ministérios são as instâncias para investigar. O Brasil não é uma republiqueta, tem instituições funcionando. Não precisa paralisar o Congresso por causa disso'', reagiu o vice-líder do PT Maurício Rands.
Para que a CPI mista seja instalada, são necessárias as assinaturas de pelo menos 171 deputados e 27 senadores. Se estiver muito difícil chegar ao número de deputados exigido, o plano B da oposição será apresentar um novo pedido de CPI somente no Senado, onde a base governista é mais frágil. ''Já conversei com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, e ele proporá só no Senado, se for preciso. Mas afasto esta hipótese porque os deputados vão saber transformar em indicação própria a indignação da sociedade. O cartão corporativo é um instrumento de gestão necessário e eficiente, mas é preciso investigar o desvirtuamento'', afirmou Sampaio.


