Brasília - A base aliada ao Planalto, tendo à frente o PMDB do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), começou ontem uma ofensiva para livrar o governo da segunda CPI do Apagão Aéreo, que a oposição quer instalar no Senado na semana que vem. Primeiro, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) apresentou questão de ordem à Mesa Diretora, questionando ''a constitucionalidade, juridicidade e oportunidade política'' de haver duas CPIs sobre o mesmo assunto, uma vez que, há seis dias, a Câmara abrira seu inquérito com objetivo idêntico.
A questão de ordem não foi acatada pela Mesa, mas Salgado anunciou que levará sua consulta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ganhou o apoio do presidente da Casa. Renan anunciou em seguida que reunirá os líderes partidários para discutir a questão nesta quarta-feira. Admitiu que ''não há aqui desejo de fazer mais uma CPI'', mas ponderou que também não quer ''empurrar com a barriga'' a decisão sobre o segundo inquérito. ''A existência de duas CPIs pode não ter racionalidade, mas do ponto de vista do regimento, da Constituição e da decisão do Supremo (Tribunal Federal), não há o que fazer. Mas se for necessário, vamos ouvir a CCJ''.
Atenta à movimentação do peemedebista contra a CPI, a oposição protestou de imediato e sustentou a tese de que a ofensiva dos aliados não tem chances de êxito. O senador Efraim Moraes (DEM-PB) lembrou que os partidos aliados fecharam acordo com a oposição, comprometendo-se a indicarem seus representantes na CPI do Senado até o dia 14. No Senado, a base aliada ao não é maioria.
Titular da liderança do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) pediu a palavra para garantir à oposição que o acordo de lideranças continua de pé e que só um novo entendimento entre os líderes poderá impedir a instalação da CPI do Apagão no Senado. Determinado a não deixar dúvidas sobre o cumprimento da palavra empenhada, ele acabou desautorizando Salgado.

mockup