Brasília - Mesmo enfraquecido politicamente, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) continua decidido a não abrir mão nem mesmo da Presidência do Senado para tentar salvar seu mandato parlamentar. Apesar dessa posição irredutível de Renan, já começaram a ser discutidas candidaturas para sucedê-lo no cargo. Preocupado em manter o comando da Casa, o governo quer eleger outro político afinado com o Palácio do Planalto ou que tenha, pelo menos, um comportamento neutro. O nome que está sendo negociado dentro da base governista é o do senador Gerson Camata (PMDB-ES).
O temor do governo é que a crise política aberta no Senado por conta da situação de Renan crie um cenário favorável para que uma candidatura de oposição acabe sendo bem sucedida. Mas todo esse movimento do governo para monitorar a sucessão de Renan tem sido feito com cuidado para tentar não prejudicar ainda mais sua situação.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou na noite de terça-feira para Renan para saber como estavam as coisas. Lula ficou preocupado com o impacto da declaração dada no México quando disse que cobraria a votação no Senado de projetos do interesse do governo. Lula quis deixar claro a Renan que não estava fazendo cobranças a seu comportamento como presidente.
Na conversa, Renan repetiu que é inocente das acusações que vem recebendo, disse que não renunciará e garantiu que as votações no Senado continuarão a acontecer normalmente. E, de fato, os senadores aprovaram na mesma noite várias medidas provisórias e pelo menos um projeto muito importante: o que definia o Supersimples, beneficiando tributariamente as micro e pequenas empresas.
Mas, independentemente das garantias dadas por Renan, o Planalto sabe que não pode se descuidar do Senado, uma vez que oposição também já se movimenta para tentar vencer a eventual disputa pela Presidência do Senado. Se o comando da Casa vagar, a oposição vai lançar o senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), como candidato.
Apoiando Jarbas, um nome do PMDB, a oposição (PSDB e DEM) espera atrair votos de políticos independentes entre os peemedebistas e de outras legendas, como PDT e PSB. Até porque a opção por Jarbas manteria a tradição do Senado de indicar para a Presidência um político do partido com a maior bancada, caso dos peemedebistas. A questão é que se o PMDB é alinhado ao Palácio do Planalto, Jarbas Vasconcellos é hoje um dos parlamentares mais críticos ao governo dentro do Congresso.

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