Agência Estado
Os aliados aprovaram o recuo do governo de só apresentar a proposta que estabelece a idade mínima para os trabalhadores da iniciativa privada se aposentarem caso haja um consenso entre as lideranças da base governista. A decisão foi aplaudida pelos parlamentares da base, que resistiam votar no Congresso qualquer medida impopular. ‘‘Isto é uma demonstração concreta de que o governo está nos ouvindo’’, disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘Eu fui um dos primeiros a avisar que teria dificuldades na base e que o PMDB não votaria com o governo o texto da idade mínima’’, lembrou o deputado baiano.
O deputado Roberto Brant (PFL-MG) fez uma avaliação mais pragmática. ‘‘O governo partiu para o diálogo com os aliados porque não tem outro caminho e não porque resolveu ser bonzinho’’, alfinetou. Ele lembrou que depois da reforma ministerial a relação dos aliados com o governo mudou. ‘‘Não há condições de aprovar qualquer emenda constitucional na Câmara’’, observou Brant, lembrando que no caso específico da idade mínima o PFL votaria favoravelmente, mas que o governo encontraria resistência nos demais partidos.
A nova estratégia do governo foi decidida no sábado, no Palácio da Alvorada, depois de uma reunião de seis horas convocada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com os seus articuladores políticos e ministros da área econômica. O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) fez uma avaliação positiva do encontro. ‘‘Fizemos uma avaliação bem realista das dificuldades para passar alguns projetos, como o da idade mínima’’, contou Madeira.
Segundo ele, será necessário organizar reuniões semelhantes entre a área econômica e líderes de partidos aliados para tentar quebrar as resistências aos projetos do governo. Madeira lembrou que a aprovação da idade mínima só terá efeito fiscal depois de 35 anos. ‘‘Portanto, não temos pressa para discutir o assunto; primeiro é preciso esclarecer bem e conversar com os líderes aliados’’, avisou.
Ele também contou que na reunião foi esclarecido que a maior parte dos projetos de interesse do governo - como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a reforma tributária e a regulamentação da reforma da Previdência - deve consumir pelo menos dois meses de avaliação. ‘‘É preciso respeitar os prazos regimentais’’, contou.
O texto da idade mínima já sofreu três derrotas no Congresso e o Executivo não irá correr o risco de sofrer outro desgaste. ‘‘É preciso reconhecer as dificuldades e não insistir numa derrota’’, explicou um ministro que participou da reunião, lembrando que agora é necessário procurar alternativas. O governo pensa em apresentar um projeto de lei ordinária para estimular as pessoas a se aposentarem mais tarde e punir as aposentadorias precoces.
Mesmo assim, Geddel é cauteloso. Segundo ele, o PMDB não irá se comprometer em votar qualquer medida, sem antes estudar detalhadamente a proposta. ‘‘Queremos resultados mais concretos do governo para a situação social do País’’, ponderou o líder peemedebista. ‘‘Só depois é que poderemos pedir um novo sacrifício da população’’, avisou.
Para Geddel, isso não significa um ato de rebeldia contra o governo. ‘‘É bom lembrar que votamos medidas impopulares para aprovar o ajuste fiscal nas crises da Rússia e da Ásia, mas agora não dá para pedir novo esforço do povo brasileiro’’. O líder ainda rebateu as ironias do secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, que comparou a ‘‘sensibilidade’’ da base em não votar as medidas do governo como sendo uma novela das oito. ‘‘Telenovela é a situação que está vivendo o País’’, disparou Geddel.Equipe se compromete a só apresentar proposta que estabelece a idade mínima para aposentadoria quando houver consenso
Arquivo FolhaBom senso Geddel Lima, líder do PMDB na Câmara: ‘‘Isto é uma demonstração concreta de que o governo está nos ouvindo’’

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