Curitiba – Depois de muita discussão nas últimas semanas, o impasse sobre o reajuste para o funcionalismo estadual parece estar perto do fim, e só depende de um posicionamento oficial do Executivo. Muito em parte pelo ultimato dado pelos deputados da base aliada, que se manifestaram favoráveis ao índice de 8,17%, e deixaram claro que a proposta apresentada pelo Palácio, de 5%, não passaria no plenário da Casa.
O desgaste que o debate sobre o índice e, consequentemente, a continuidade da greve dos servidores, vem causando na Casa é notório e gera incômodo em boa parte dos deputados. Tanto que 25 parlamentares do total de 33 que compõem o bloco que apoia o governo participaram de mais uma reunião realizada ontem pela manhã, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, em que a base aliada apresentou duas propostas ao chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra (PSD). As duas alternativas contemplam a integralidade da data-base, mas se diferenciam na forma de pagamento.
As propostas não foram comentadas pelos deputados, no entanto, entre as alternativas estaria o pagamento da reposição da inflação anual de 8,17% em parcelas a serem pagas em julho e setembro deste ano e janeiro e março de 2016. A outra prevê a antecipação da data-base dos servidores de maio para janeiro, com aumento de 3,45% em setembro deste ano e o restante a ser pago no ano que vem.
No início da noite de ontem o líder do governo na AL, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) e o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), tiveram mais um encontro com a equipe de governo onde, se esperava que a questão pudesse, enfim ser concluída. Entretanto, até o fechamento desta edição a reunião ainda não tinha terminado. "Vamos buscar uma equação que satisfaça tanto o movimento grevista, quanto os interesses do Executivo", informou Traiano.
"A base de apoio na AL quer uma solução para as greves, o Estado precisa retomar a normalidade administrativa, temos que resolver isso, com tanta coisa para ser feita neste ano não podemos estar quase na metade do ano estar discutindo a mesma coisa", ressaltou Romanelli.
Segundo o deputado da base governista, Elio Rusch (DEM), a análise do governo deve ser baseada na sua disponibilidade econômica e financeira do Estado. "Se você tem uma receita no Estado, município e União, é dentro da sua receita que você vai dar o reajuste", afirmou.
O líder do PSC na Assembleia, Leonaldo Paranhos, que estava de licença médica, ressalta que a base está tentando ajudar o governo a pôr um fim na greve dos servidores. "Se a bancada que dá sustentação ao governo diz que só vai votar os 8,17% é uma forma de dizer ao governo que é preciso decidir sobre a questão. É um recado de amigo, não é de inimigo não´" disse. Segundo ele, uma solução deve ser apresentada rapidamente para inclusive inibir a tentativa de outras paralisações. "Não é 3% a mais que vai definir a vida do Estado, sendo que nós tivemos 40% de aumento do IPVA, ICMS, e o acesso ao Fundo Previdenciário. O governo teve um aporte financeiro de quase R$ 1,5 bilhão, portanto, houve um incremento das finanças", completou.
De acordo com Marlei Fernandes, coordenador da Fórum de Entidades Sindicais (FES), a possibilidade de um parcelamento do reajuste ainda não foi avaliada pela categoria até porque nenhuma proposta por escrito foi formalizada. "Não há nada de concreto e isso causa muita insegurança na nossa categoria. Assim que tivermos isso podemos acionar o comando de greve e avaliar, podemos convocar assembleias", ressaltou.

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