Brasília - A base aliada do governo pode voltar atrás no acordo firmado com a oposição para que a CPI dos Cartões Corporativos tenha acesso aos gastos sigilosos do Palácio do Planalto com os cartões, disponíveis no TCU (Tribunal de Contas da União). Os governistas são contrários à decisão da presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que autoriza os parlamentares a levarem assessores técnicos do Congresso para analisarem os dados sigilosos no tribunal.
A reportagem apurou que os governistas vão tentar reverter a decisão de Serrano em reuniões administrativas da CPI, na semana que vem. Na prática, porém, os governistas reconhecem que seria desgastante voltar atrás no acordo, uma vez que o próprio TCU já foi acionado para disponibilizar os dados. ''Isso descumpre o acordo. O entendimento é que apenas parlamentares tenham acesso aos dados. O objetivo dela e de outros integrantes da CPI é fazer um plano de vazamento de informações. Se houver vazamento, a responsabilidade é dela'', afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
Apesar de liberar a presença dos assessores, Serrano proibiu que os oito integrantes da CPI autorizados a analisar os documentos levem celulares ou façam cópias do material. A senadora disse que todos assinarão um termo de compromisso para não vazarem as informações, que são sigilosas.
Os governistas concordaram com as regras impostas apela senadora, mas como não houve acordo sobre a presença dos assessores, Serrano decidiu por conta própria liberar o acesso a técnicos do Congresso.
A oposição argumenta que a presença dos assessores é necessária para organizar os dados. ''Não tem como os governistas não aceitarem. A senadora foi até flexível porque a base queria que a gente entrasse com os olhos vendados no TCU. Não tem ninguém que impeça a CPI de analisar os documentos'', afirmou o deputado Vic Pires (DEM-PA). Pires defende que os parlamentares possam revelar publicamente os dados sigilosos se forem de interesse nacional.

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