Brasília - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu na quarta-feira um passo para consolidar seu nome junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pré-candidata à sucessão, durante seu depoimento à Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Apesar disso, Lula sabe que entre os partidos da base de apoio ao Planalto não arrefeceu a queixa de que a ministra ainda precisa aprender a fazer política.
Até agora, quando resolveu fazer política, Dilma ficou longe de ser uma unanimidade entre os aliados. No mês passado, acabou influindo nas articulações regionais para atrair partidos da base à candidatura da deputada petista Maria do Rosário para a Prefeitura de Porto Alegre. Só que nessas negociações ela ajudou a desmontar parte do arco de alianças que estava sendo formado pela deputada Manuela D'Ávila (PC do B), que também concorre ao cargo. A direção do PC do B não escondeu o aborrecimento pelo que considerou interferência indevida da ministra.
A base governista também torce o nariz para o jeito como a ministra encara os pleitos de aliados, a começar pelas indicações para cargos e na liberação de recursos. No PMDB, principal aliado do PT no Congresso, essas arestas são fortes. Os principais dirigentes do partido não esquecem as dificuldades impostas por Dilma às indicações peemedebistas para cargos no setor elétrico.
Sem ser atingida diretamente pela oposição no depoimento ao Senado, Dilma sabe que agora a continuidade dessa caminhada vai depender dos desdobramentos do escândalo da produção e vazamento, pela Casa Civil, do dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Se Dilma conseguir se manter à margem dessas investigações, dificilmente deixará de ser a candidata oficial de Lula.
Quando começou a aproveitar eventos de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para apresentar Dilma à população como ''mãe do PAC'', Lula tinha o plano de testar a receptividade popular da ministra e avaliar a viabilidade política de sua eventual candidatura. Mas, segundo aliados do presidente, essa disposição era mais um desejo do que aposta concreta. Afinal, com seu perfil gerencial e sua falta de jogo de cintura para tratar de assuntos políticos, Dilma estava longe do estilo para assumir uma campanha presidencial.
Para os mesmos aliados, entretanto, Lula admitiu que ficou impressionado com o comportamento da ministra no Senado. Ele avaliou que Dilma começou a adquirir os componentes necessários para carregar uma campanha sucessória onde terá de enfrentar ao menos um forte candidato de oposição.
Mas o desempenho no Senado foi apenas o primeiro round do enfrentamento que a oposição fará para tentar provar que houve envolvimento dela na produção e no vazamento do dossiê. Lula sabe desse risco. Por isso não parou de alimentar as esperanças de outros que sonham em sucedê-lo. É o caso dos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Marta Suplicy (Turismo), Tarso Genro (Justiça) e Fernando Haddad (Educação). E também dos aliados de outros partidos, como o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

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