Barros refuta acusações em nota
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Milton F. da Rocha Filho Agência Estado 
O ministro das Comunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros, emitiu uma nota oficial sobre a divulgação, neste final de semana, pela revista Veja, de fitas de gravações clandestinas feitas durante a privatização da Telebras. Para ele, a divulgação da fita é uma tentativa de criar um clima de ilegitimidade na ação do BNDES e do ministro das Comunicações. Barros afirma, na nota, que de acordo com as normas legais que regulam o processo de privatização do Sistema Telebrás, o Ministério das Comunicações contratou o BNDES para executar o processo de venda de 12 companhias através de leilão público realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Leilão no qual o País arrecadou, em menos de cinco horas, R$ 22,067 bilhões, com um ágio médio de 63,7% sobre o preço mínimo de R$ 13,47 bilhões.
Entre as responsabilidades do BNDES - continua - estava a de buscar a formação do maior número possível de consórcios interessados no leilão para, via concorrência, maximizar o resultado financeiro para o Tesouro Nacional; para atingir este objetivo, o BNDES manteve-se ao longo do processo de privatização em constante contato com os consórcios interessados, inclusive para resolver questões objetivas que eventualmente impedissem sua participação no leilão. Esta atuação do BNDES permitiu que houvesse competição em todas as disputas pelas 12 empresas oferecidas à venda. Aliás foi por isto que o resultado final do leilão superou todas as expectativas mais positivas.
O ministro afirma que os diálogos descritos pela Veja representam apenas montagem parcial das ligações telefônicas gravadas no BNDES e não incluem os contatos com outros consórcios interessados em participar do leilão e que comprovam a ação isenta do BNDES. Não fazem referências ao mesmo tipo de ação do BNDES também em relação aos outros consórcios. Inclusive não se refere ao fato de que o próprio Consórcio Telemar obteve sua carta de fiança através do Banco do Brasil.
Ele afirma que a transcrição não inclui, por exemplo, a intensa ação do ministro das Comunicações e do presidente do BNDES junto à MCI e à Sprint, empresas que disputaram a Embratel e cuja participação só foi acertada às 22 horas do dia anterior do leilão. E diz que o mesmo ocorreu no caso da Tele Centro Leste, em que o lance do Consórcio Solpart, de que participaram o Banco Opportunity, junto com a Telecom Itália e outros investidores, acabou sendo superior ao da oferta concorrente em R$ 1 bilhão. O Opportunity, por sinal, indicado pelas fitas como beneficiário das conversas grampeadas, não saiu ganhador da disputa pela Tele Norte Leste porque já havia arrematado antes a Tele Centro Sul.
A nota diz: Lamentamos que a Veja tenha se utilizado de gravações obtidas por escuta ilegal dos telefones do BNDES e, mais grave ainda, editadas de tal forma que podem induzir à interpretação de que teria havido favorecimento do consórcio liderado pelo Banco Opportunity.


