Barros intermediou contato
A primeira situação envolve o empresário Carlos Henrique Alves de Abarca e Messas, em parceria com a empresa Eurobase Engenharia e Incorporação Ltda. Messas tinha interesse na aprovação de um condomínio residencial na Gleba Palhano, com 20 mil m2, o que demandaria alteração no zoneamento, já que ali era Zona Especial (ZE-4). Conforme a ação, Messas, também dono da churrascaria Galpão Nelore, teria procurado Barros, no segundo semestre de 2007, para que as mudanças necessárias fossem feitas para implantação do empreendimento. Em dezembro, Renato Araújo propôs um substitutivo ao projeto de lei 239/2007, diz a ação, ''incluindo dispositivos legais que permitissem autorização'' do condomínio. Conforme o Gaeco, contudo, para que a iniciativa fosse tomada, os cinco denunciados teriam acordado entre si a cobrança de R$ 12 mil a Messas. Barros se encarregaria de ''gerar na vítima o temor de represálias''; já Bonilha receberia o arrecadado para que ''repassasse aos demais denunciados''. No depoimento, Messa admitiu que a cobrança e o pagamento foram feitos no escritório da churrascaria.
Doação de terreno
O segundo fato investigado foi a suposta investida contra o empresário Maurício Sérgio de Biagi. No fim de 2007, Biagi tinha interesse na aprovação de uma doação, pelo Município, de um terreno de pouco mais de 14 mil m2, contíguo a um de de 15 mil m2 doado em agosto do mesmo ano. A intenção era unificar e ampliar suas empresas, a Higiban Indústria, Comércio, Importação e Exporação de Materiais para Construção Ltda., e a Flex Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Metais Sanitários Ltda. Ele também teria feito contato com Barros, a fim de que intermediasse a doação da área à Flex por meio do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel). Na ação, consta que Barros e Bonilha teriam cobrado do empresário R$ 30 mil - mas ele teria concordado em providenciar R$ 14 mil. Desse volume, R$ 10 mil teriam sido pagos ainda em dezembro e na sequência distribuídos na Câmara, entre o grupo. Na sede da Higiban, na Rua Rebouças (Zona Oeste), Barros admitiu ter recebido de Biagi um cheque de R$ 4,8 mil, no último dia 9. A partilha não chegou a ser efetuada, já que no dia seguinte, ele foi preso.
Funcionamento 24 horas
Os R$ 5 mil que completam os R$ 9,9 mil flagrados com o vereador, informa a ação, vieram do empresário Alexandre Fontana Guimarães, dono da casa noturna Empório Guimarães e do Mercado Municipal Guanabara. Conforme as investigações relatadas no inquérito que sustenta a ação, Guimarães procurou Barros para aprovação de uma lei que alterasse o enquadramento das atividades exercidas no mercado, para que a empresa pudesse receber alvará de funcionamento para 24 horas. A medida chegou a constar de projeto de lei proposto pelo vereador ano passado, mas acabou rejeitado em plenário. Em 20 de dezembro, continua a ação, Bonilha e Barros, ''ajustados entre si e provavelmente com outros indivíduos, já pretendendo impor à vítima o pagamento de vantagem indevida'', providenciaram um substitutivo assinado pelo peemedebista. Isso integrou o projeto do Executivo que alterou dispositivos do Código de Posturas. Entretanto, as investigações apontam que Barros teria exigido R$ 20 mil de Guimarães, o qual prometera levantar R$ 15 mil. Em um intervalo de poucos dias, o empresário depôs ter pago R$ 5 mil, em dezembro - que teriam sido divididos entre os vereadores no mesmo dia -, e outros R$ 5 mil, no dia da prisão, uma vez que viria sofrendo ameaças de represálias por eventual demora no repasse.
É de posse desses R$ 5 mil (contidos em um envelope) e dos R$ 4,9 mil - o cheque de R$ 4,8 mil fora descontado em um posto de gasolina - que o vereador foi preso. Na ocasião, ele tinha acabado de deixar o escritório de Guimarães à Rua Paraíba, como ilustram as fotos que são peças do inquérito. O flagrante ocorreu perto dali, na Avenida Leste-Oeste. (J.G.)





