O ex-vereador Henrique Barros (sem partido) desmentiu ontem, perante o juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Marcos José Vieira, as acusações que fizera em janeiro contra quatro então vereadores e a própria confissão em que explicava a origem dos R$ 9,9 mil com os quais foi preso à época. Foi a primeira audiência do processo em que ele, o ex-vereador Orlando Bonilha (PR) e os vereadores afastados Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC) respondem por concussão e formação de quadrilha.
Este último foi o único dos cinco réus que não compareceu à audiência. Segundo o advogado que representa ele e Bergamin, João Gomes Filho, Vedoato estava internado no Hospital do Coração com problemas de pressão e diabete. ''O Flávio tem vivido uma situação muito delicada e limite do ponto de vista da saúde. Ele queria vir e tive que insistir que não haveria nenhum prejuízo legal (em sua ausência)'', comentou.
Barros foi o primeiro a chegar, acompanhado do advogado Antônio Carlos Coelho Mendes. Durante quase uma hora, os outros três réus ficaram aguardando juntos na ante-sala do local da audiência, sob flashes e luzes de câmeras. Barros e Bonilha saíram sem dizer uma palavra. Bergamin voltou a negar as acusações perante à imprensa e disse que não teve oportunidade de conversar com Barros. ''Até gostaria de encontrá-lo um dia para ver porque ele colocou meu nome nessa história'', lançou.
Araújo disse estar ''perfeitamente tranquilo por não ter participado de nenhum ato ilícito em 34 anos de Câmara'' e contou que apenas ''cumprimentou'' Barros. ''Não guardo mágoa. Cada um terá seu julgamento'', resumiu.
O único a falar sobre o teor dos depoimentos, mesmo dizendo de antemão que não gostaria de se ''adiantar'', foi Gomes Filho. Segundo ele, o depoimento de Barros foi ''estarrecedor''. ''A imprensa teria gostado de ouvir o que o Henrique falou. Ele negou qualquer participação de Renato, Flávio, Osvaldo e Orlando Bonilha (nos crimes pelos quais respondem) e não assumiu ter recebido um centavo de empresário a título de propina'', repassou o defensor.
Questionado se o ex-vereador citou ter sido ameaçado ou coagido durante seu interrogatório ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em janeiro, o advogado disse que preferia ''não tocar nesse assunto''. ''O que posso dizer é que poucas vezes, em 20 anos de advocacia, vi um depoimento tão esclarecedor. O Henrique contou o que aconteceu, dando fatos, motivos, detalhando o porquê de ele estar com aquele dinheiro (R$ 9,9 mil) naquele dia. Não tenho dúvida nenhuma de que ele foi vítima de uma armação'', asseverou.
O juiz da 3 Vara Criminal não quis se manifestar sobre os fatos relatados durante a audiência para não comprometer a imparcialidade do julgamento. Segundo ele, uma nova audiência com Vedoato foi marcada para o próximo dia 18 e, em seguida, serão designadas as datas para ouvir testemunhas de acusação e defesa. ''São fatos complexos, há muitas pessoas para ouvir. Até agora só o Ministério Público (MP) arrolou testemunhas, me parece que umas 12 ou 15'', observou.
Vieira disse ainda que este é um processo ''como qualquer outro'', que vai demorar algum tempo, ''mas no que depender do Poder Judiciário será dada a devida celeridade''. Sobre a possibilidade de repassar cópias das oitivas à Comissão Processante (CP) que apura quebra de decoro parlamentar por Bonilha na Câmara - desejo manifestado pela CP na semana passada - o magistrado afirmou: ''O processo não está em segredo. Assim que vier requerimento nesse sentido, vou decidir''.

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