Barreto diz que 'não houve má-fé'
CASO AMA/COMURB
Barreto diz que
não houve má-fé
Mas admite que cometeu um erro
Arquivo FolhaATAQUEAlonso: Determinação superiorArquivoCONTRA-ATAQUEAzzolini: Sem participação
Patrícia Zanin
De Londrina
O empresário Cláudio José Menna Barreto Gomes, de Curitiba, disse ontem que as irregularidades cometidas por ele em licitações fraudadas na Comurb e na AMA foram um erro. Os contratos fantasmas foram feitos em cima de nossos planos para Londrina, mas não houve má intenção nem má-fé, afirmou. Em depoimentos ao Ministério Público (MP) de Londrina, ele admitiu ter recebido R$ 1,1 milhão dos cofres públicos e devolvido R$ 770 mil, que foram destinados à campanha eleitoral.
Menna Barreto conversou por telefone com a Folha. Foi a primeira vez que o empresário se manifestou à imprensa sobre o caso, desde que o escândalo AMA-Comurb começou a ser investigado pelo MP, há um ano e um mês. A empresa dele, a Sistema Design Arquitetura e Urbanismo, é uma das investigadas. Até agora, os promotores Bruno Galatti, Cláudio Esteves e Solange Vicentin constataram desvios gerais de pelo menos R$ 16 milhões.
Segundo o empresário, o que o motivou a errar foi sua vontade de ajudar no caminho da urbanização de Londrina e acreditar no governo de coalizão da cidade.
Ao MP, Menna Barreto disse que a diferença entre o dinheiro recebido e devolvido R$ 372 mil foi usada para despesas fiscais e para cobrir custos com a efetiva realização dos trabalhos. O empresário disse ter concluído oito trabalhos técnicos para a Comurb e a AMA. (quadro ao lado).
Ontem, ele minimizou o teor dos depoimentos à promotoria e disse que apenas confirmou informações que o MP já tinha. O mérito de toda a situação é do Ministério Público, afirmou. Mas ratificou as denúncias.
Nos depoimentos, disse que o dinheiro das licitações era devolvido ao ex-diretor-administrativo financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, que justificava a existência de muitas dívidas de campanha, envolvendo inclusive o prefeito Antonio Belinati (PFL) e para favorecer candidatos a deputado federal. Ontem à Folha, Menna Barreto não soube informar quem eram os candidatos beneficiados. Eu não conhecia os favorecidos, garantiu.
Cheques assinados pelo empresário foram destinados a pelo menos cinco empresas e pessoas físicas. Desconheço para quem eram, afirmou ontem. Quem aparece como o maior beneficiado, com R$ 525 mil, é Cassemiro Zavierucha, o Carlos Júnior, apontado como tesoureiro de campanha de Belinati. Ontem, Zavierucha foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado.
A empresa Grande Londrina, que aparece como tendo recebido R$ 15 mil, justificou ontem que o cheque foi trocado para Menna Barreto, a pedido de um funcionário da Comurb. Não lembro quem pediu, mas trocamos. Não podíamos imaginar que o cheque fosse de alguém que está envolvido nas denúncias, afirmou o gerente da empresa, Gildalmo de Mendonça.
Operações realizadas
- Valor total das operações envolvendo a empresa sistema, de Cláudio Menna Barreto: R$ 1,1 milhão
- Tempo de prestação de serviço: de 15/12/97 a 30/1/99
- Secretarias beneficiadas: Comurb e AMA
- Serviços prestados: oito consultorias ligadas aos setores de transporte e meio ambiente
Serviço - - - - Data de realização
Plano de Transporte Coletivo - de 15/12/97 a 29/6/98
(Comurb)
Pesquisa Domiciliar de - - de 8/7/98 a 1/9/98
Origem e Destino (Comurb)
Aterro do Lago Igapó - - de 21/8/98 a 5/10/98
(AMA)
Plano de Ação Instituicional - 15/12/98
(Comurb)
Plano Diretor de Arborização - 16/12/98
(AMA)
Plano de Reposição - - 17/1/99
(AMA)
Plano em área degradada - - de 18/1/99 a 30/1/99
junto ao centro (AMA)
- Menna Barreto admite ter movimentado R$ 1,1 milhão e devolvido R$ 770 mil. Segundo o depoimento prestado à promotoria, o valor remanescente de R$ 372 mil cobriu despesas fiscais (R$ 155 mil). A receita de R$ 215 mil serviu para cobrir trabalhos técnicos, segundo ele. Ainda de acordo com o depoimento do empresário, seu lucro líquido foi o equivalente a 15% dos R$ 215 mil (R$ 32,15 mil).
Fonte: Informações prestadas pelo próprio Menna Barreto, por escrito, à Promotoria Pública.





