Barreto confirma desvio para campanha
Patrícia Zanin
De Londrina
O dono da empresa Sistema Design Arquitetura e Urbanismo, de Curitiba, Cláudio José Menna Barreto Gomes, associa o desvio de verbas públicas da prefeitura de Londrina à campanha eleitoral de 98. A informação faz parte de três depoimentos prestados por Menna Barreto ao Ministério Público (MP) entre novembro e dezembro. Eles foram liberados ontem para a imprensa pela OAB. A empresa Sistema é uma das investigadas pelo MP no escândalo AMA-Comurb, que causou desvios de pelo menos R$ 16 milhões aos cofres públicos.
O ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso foi o primeiro a denunciar o desvio de recursos públicos para campanha. O uso do dinheiro para essa finalidade foi admitido à promotoria por Menna Barreto. O empresário confirmou ter recebido R$ 1,1 milhão em licitações e cartas-convites e devolvido R$ 770 mil deste total, através de Alonso. O remanescente, de R$ 372 mil, foi usado, segundo ele, quase integralmente em despesas fiscais, em torno de R$ 155 mil, e na efetiva realização dos trabalhos à Comurb-AMA.
De acordo com o depoimento, os R$ 770 mil foram usados para cobrir pendências bancárias, além de favorecer com esses donativos candidatos a deputado federal de posição ideológica voltada para a esquerda, que faziam dobradinha com o candidato a deputado estadual, filho do prefeito Antonio Belinati.
Ele disse que Alonso o orientava a auxiliar candidatos exatamente com contribuições decorrentes de contratos que firmasse com a Comurb. Menna Barreto admitiu, em outro trecho do depoimento, que muitas licitações eram elaboradas especialmente para levantar determinada importância em dinheiro para pagamentos requeridos por Alonso. No depoimento, ele envolve licitações destinadas ainda às empresas Esteio, Vêneto e Ecodata, investigadas pelo MP.
A devolução dos valores a Alonso eram justificados por este pelo fato de que havia dívidas de campanha eleitoral muito grandes e que era preciso pagá-las com o dinheiro entregue pelo declarante; que Alonso ainda justificava que o prefeito Belinati havia apoiado muitos candidatos a deputado, razão pela qual a dívida de campanha se avolumara, diz, em outro trecho.
De acordo com Menna Barreto, os cheques que seriam cobrados após os pagamentos das licitações eram entregues a Alonso, sem o preenchimento do campo do beneficiário. Cópias de cheques entregues pelo empresário à promotoria mostram que eles foram destinados a pelo menos cinco pessoas e empresas. Pessoas estranhas à empresa preencheram o nome de favorecidos nesses documentos, disse o empresário.
As cópias mostram que o maior beneficiado foi Cassemiro Zavierucha, com R$ 525 mil. Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, é apontado como tesoureiro de campanha de Belinati, mas nega. Menna Barreto recebeu R$ 261 mil. Outros R$ 24 mil entraram na conta da empresa dele. Um cheque de R$ 15 mil para a Grande Londrina também consta nos anexos.
Menna Barreto não foi encontrado ontem pela Folha, que deixou dois recados em sua secretária eletrônica. A direção da Grande Londrina informou, através de sua assessoria de imprensa, que pretende se manifestar hoje sobre o cheque. Zavierucha foi contatado várias vezes ontem, mas seu celular estava desligado. Alonso também não retornou as ligações. O prefeito Belinati também não quis se manifestar.





