Albari Rosa/Folha de LondrinaDesgasteRicha: ‘‘Vim para a reunião porque senão me sentiria um covarde’’O diretório regional do PSDB disse ‘não’ ao ingresso do governador Jaime Lerner (PDT) no partido. Por 33 votos contra quatro, numa votação secreta que entrou a madrugada de ontem, os delegados tucanos alinhados ao presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias e ao presidente estadual Hélio Duque, barraram os planos políticos do governador de ficar no mesmo partido que o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os ‘lerneristas’ participaram das discussões, mas se retiraram minutos antes da votação, que começou por volta das 23h30 da última segunda-feira, no Abtur Hotel, em Curitiba. Abandonaram o local alegando ‘‘vícios’’ na condução do processo e prometendo um recurso junto à executiva nacional, que faz hoje a sua reunião semanal em Brasília. Liderados pelo ex-governador José Richa e pelo ex-prefeito de Campo Mourão, Rubens Bueno, os pró-Lerner defenderam o voto aberto dos delegados.
Mas nem o apelo de Richa - que pela primeira vez saiu em defesa de Lerner publicamente - conseguiu reverter o placar. Mesmo que os 23 ‘lerneristas’ permanecessem no local para votar, a vitória dos ‘contras’ estaria garantida. Quatro suplentes ligados ao grupo de Álvaro foram convocados, na última hora, para participar da votação. Os pró-Lerner avaliam que o placar ficaria mais apertado se a votação fosse aberta.
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No seu discurso, Richa acusou os adversários do partido de terem elaborado um panfleto apócrifo pondo em dúvida a sua vida profissional. Atualmente, Richa tem uma empresa de consultoria. ‘‘Não admito molecagens e vim para a reunião do diretório porque senão me sentiria um covarde’’, reagiu. O tucano confessa que até a última quinta-feira estava ‘‘disposto a não participar das discussões’’, assim como das que definiram a entrada do ex-governador Álvaro Dias no PSDB. ‘‘Você sabe Álvaro que se eu estivesse presente, votaria contra a sua filiação’’, provocou.
Na tentativa de amolecer os ‘contras’, Richa admitiu que Lerner ‘‘errou no tratamento dispensado com o PSDB’’, depois das eleições de 94. ‘‘O Lerner não é político e precisa de um partido que dê respaldo ao seu governo’’, avalia o ex-governador que diz ter ‘‘estimulado’’ o governador do Paraná a costurar a sua entrada no ‘ninho’. ‘‘Avisei o Lerner que não moveria uma palha e que, para entrar no PSDB, deveria sondar as lideranças tucanas nacionais e regionais’’, contou, revelando que foi procurado por Lerner há cerca de um mês e meio.

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