Bargas nega envolvimento com dossiê
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O ex-secretário do Ministério do Trabalho Osvaldo Bargas negou ontem, em depoimento à CPI dos Sanguessugas, que tenha coordenado a tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos. Ele revelou que se sentiu ''traído'' por não ter sido informado da negociação e disse que só ficou sabendo quando o episódio estourou na imprensa, com as prisões de Valdebran Padilha e Gedimar Passos.
''Tentei buscar resposta para me sentir menos traído. Se existisse a negociação eu tinha que ficar sabendo'', afirmou Bargas, que isentou o presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini. ''Continuo achando que ele não sabia de nada.''
Bargas disse ainda que foi designado por Jorge Lorenzetti - então diretor de risco e mídia do PT - para acompanhar a entrevista que Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia das ambulâncias, concederia à revista ''IstoÉ''. ''Não coordenei nada. O que me foi pedido para fazer foi só acompanhar a entrevista aos jornalistas'', disse.
Segundo Bargas, quem articulou o contato com os jornalistas foi Hamilton Lacerda, que à época atuava como coordenador da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo.
Também na mesma linha dos depoentes que participaram da operação, o ex-secretário do Ministério do Trabalho disse que desconhece a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) apreendidos num hotel de São Paulo, que supostamente seria pago aos Vedoin em troca das informações. ''Eu não tinha a menor idéia do que estava acontecendo em São Paulo'', declarou.


