A ex-secretária municipal de Educação Karin Sabec teria afirmado à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Educação que a responsabilidade nas supostas irregularidades na compra dos kits de uniformes escolares e da coleção de livros didáticos pela Prefeitura de Londrina teria sido do ex-secretário de Gestão Pública Marco Cito. A informação foi passada à imprensa pelo presidente da CEI, Rony Alves (PTB), na tarde de ontem na Câmara, após o depoimento de Karin, que durou quatro horas.
Na segunda-feira, Marco Cito foi encaminhado da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL2) à Casa para prestar esclarecimentos para a CEI sobre a inexigibilidade nas licitações para a compra dos uniformes e dos livros didáticos. Na ocasião, o ex-secretário empurrou a responsabilidade para Karin, e agora a ex-secretária municipal de Educação faz o caminho inverso, e responsabilizou Marco Cito. ''A secretária foi contundente em afirmar que a secretaria de Gestão Pública não era uma mera intermediadora, como afirmou Cito no primeiro depoimento. Se na segunda-feira eu disse que Cito empurrou 90% da culpa para Karin, hoje ela fez a mesma coisa'', contou Alves.
Segundo o vereador, a ex-secretária teria sido ''contundente'' em afirmar que todo o processo foi feito com conhecimento do prefeito Barbosa Neto (PDT). ''Ela afirmou para a CEI que nenhuma agulha cai na prefeitura sem que o prefeito saiba.'' Durante a tarde, um dos advogados da ex-secretária teria ido até a casa dela para pegar um documento para os vereadores. ''Esse documento, segundo a Karin, está rasurado pelo ex-chefe de Gabinete do prefeito Fábio Goes. Ela pediu 15 livros por escola, mas o Fábio teria rasurado o documento pedindo 30 por escola. Ela disse que o Fábio garantiu que isso estava sendo feito a pedido do prefeito Barbosa Neto'', explicou.
A Prefeitura comprou 13,5 mil exemplares do livro Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena, por R$ 621 mil. Esses livros foram considerados racistas pelo Ministério Público e entidades de classe, e não foi usado pelas escolas. A respeito dos depoimentos dos dois ex-secretários, Rony Alves afirmou que Cito foi incoerente no depoimento sobre as duas compras, já Karin teve incoerências em relação aos uniformes, mas foi contundente em relação à compra dos livros.
Após o depoimento, Karin conversou com a imprensa. Apesar de ter sido breve e não ter dado informações sobre o teor do depoimento - a pedido de seus advogados -, ela rebateu a informação passada à CEI por Marco Cito de que as compras teriam sido aprovadas pela pasta de Gestão somente a pedido da Educação. ''Eu só quero que o Cito explique por que é que o processo para a devolução dos livros didáticos está há quase um ano na Secretaria de Gestão, e não na Secretaria de Educação, se a compra foi feita somente a meu pedido. Depois da divulgação do relatório todo mundo vai saber de quem é a responsabilidade'', provocou, mas sem dar detalhes sobre o assunto. A ex-secretária também confirmou a rasura no documento feita pelo ex-chefe de Gabinete Fábio Goes.
A CEI tem até o final de agosto para apresentar o relatório final da investigação. Esse caso, segundo o presidente da CEI, Rony Alves, vai ser aprofundado pela CEI porque ''Goes veio da Bahia'', do mesmo lugar onde fica a sede da Editora Ética.

mockup