Barbosa Neto pede proteção policial
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de junho de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Anúncios com linguagem cifrada foram publicados no último fim-de-semana em um jornal de circulação estadual. Aparentemente são textos que não têm qualquer ligação. Entretanto, os números de telefones de contatos são sempre os mesmos. O primeiro número apresentado se refere ao 7º Distrito Policial (DP) de Curitiba. O segundo número é do gabinete do governador Roberto Requião (PMDB).
Num deles, que sugere a venda de camisas pólo vermelha com emblema ferraria, traz o nome do deputado estadual Barbosa Neto (PDT). O anúncio sugere a venda de oito mil peças e dá o telefone do Hamilton (delegado do 7º DP) e do Roberto (governador). Uma observação diz que ''a venda será revertida em favor do jantar de apoio ao deputado Barbosa Neto''. A citação do nome do parlamentar movimentou anteontem a Assembléia Legislativa. Barbosa Neto protocolou um requerimento que foi aprovado solicitando apuração das informações publicadas. Ele mesmo teria tentado descobrir os autores dos anúncios, mas a identidade deles teria sido negada pela direção do jornal.
''A impressão que tive foi a de que policiais corruptos estão tentando achacar comerciantes com esse tipo de anúncio cifrado. Ou um pedido de socorro. Resolvi fazer essa denúncia para me resguardar. Se vierem com alguma denúncia posterior contra mim, autorizo a quebra dos meus sigilos'', ponderou Barbosa Neto, que já pediu proteção policial por medo de represálias.
No gabinete do governador, a telefonista confessou ter recebido uma ligação de pessoa interessada no suposto anúncio que ela classificou como uma ''brincadeira''.
No 7º DP ninguém tinha conhecimento da existência dos anúncios. O delegado titular Hamilton da Paz achou os anúncios ridículos, fruto da ''imaginação de algum vagabundo que teria se sentido prejudicado com alguma ação policial''. Ele disse que a ''palhaçada'' não merecia resposta.
O delegado da Furtos e Roubos de Veículos, Ronald de Jesus, achou absurdo o teor dos anúncios. ''Estão querendo denegrir a imagem do homem (Hamilton). Isso é um absurdo''. O delegado não acredita em chantagem, já que não tem identificação de número de contato. ''Vou investigar'', disse ele. Ronald de Jesus informou ainda que está abrindo um procedimento investigatório para descobrir o autor dos anúncios.


