Ainda que membros do alto escalão se esforcem para negar eventual clima de instabilidade na administração, a ''dança das cadeiras'' na Prefeitura de Londrina teve novo capítulo, ontem à tarde, com seis mudanças em quatro das pastas ditas essenciais: Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e secretarias municipais de Obras e Pavimentação, Planejamento e Fazenda. Só de chefias de autarquias e secretarias, em nove meses de gestão, já foram pelo menos 15 alterações.
Na maioria das alterações houve troca de nomes entre as pastas. Por outro lado, foram exonerados titulares na Fazenda e na Diretoria de Trânsito da CMTU desde janeiro do ano passado, ainda na gestão interina, respectivamente o servidor efetivo Denílson Vieira Novaes e o policial militar reformado Sergio Dalbem. Novaes foi substituído por Edson Antonio de Souza, que deixa o Planejamento, onde assume o presidente da CMTU, Lindomar Mota dos Santos. Na companhia, toma posse o secretário municipal de Obras, Nelson Brandão, que deixa a vaga para o atual diretor técnico do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), Marcello Teodoro, que vai acumular as duas áreas.
Acúmulo de função será registrado também na CMTU, onde a diretoria que era comandada por Dalbem passa a ficar sob atribuição do diretor de Transportes da companhia, Wilson de Jesus. Já Agnaldo Rosa deixa o cargo de diretor de Operações para assumir uma assessoria na Secretaria de Obras.
Exonerado um dia depois da prestação de contas do último quadrimestre de 2009, realizada anteontem na Câmara ao lado do prefeito Barbosa Neto (PDT), o ex-secretário de Fazenda admitiu ter sido pego de surpresa com a notícia recebida ontem de manhã, comentou, do vice-prefeito José Joaquim Ribeiro (PSC). Novaes foi um dos mentores do Programa de Recuperação Fiscal (Profis), que, implementado ano passado a pequenos devedores de tributos municipais, tentou minimizar parte dos R$ 150 milhões que o Executivo tem inscritos em dívida ativa.
''A gente sabe que esses cargos têm uma conotação política, um vínculo político muito maior, mas também uma maior rotatividade. Mas como 2009 foi um ano bem difícil de arrecadação e conseguimos fechar o balanço sem qualquer atraso, confesso que fui, sim, pego de surpresa'', disse Novaes. Sobre motivos alegados para a saída, o servidor afirmou que o vice não elencou nenhum. ''Não houve um argumento.''
Outro a deixar a equipe de governo e responsável pela implantação do programa ''Pé na Faixa'' no município, major Dalbem explicou que, para ele, a justificativa foi uma só: ''Me disseram que o prefeito faria algumas mudanças e enxugaria a CMTU. O cargo é dele, e desde o início a condição para minha permanência era essa: enquanto se precisasse, eu estaria à disposição. Creio que cumpri minha obrigação'', concluiu, para ressalvar: ''Mas vamos ajudar no que for possível''.
O agora ex-presidente da CMTU e novo diretor de Planejamento acredita que, na nova função, auxiliará no ''fortalecimento de aspectos por um melhor controle, uma melhor equação, internamente, na gestão''. ''Foi uma surpresa até para nós: o prefeito é um grande gestor, então creio que são mudanças extremamente importantes'', comentou Mota, que negou que mudanças seguidas no secretariado desestabilizem a equipe. ''Não acredito nisso. O prefeito apenas usa aquilo que teoricamente tem de melhor, tanto que a cobrança para a equipe é semanal.'' A FOLHA tentou contato com os demais integrantes alvo das mudanças, mas eles não foram localizados.
Barbosa não deu entrevista sobre as alterações. Em nota, logo após coletiva sobre a educação infantil, que concedera no gabinete, o prefeito justificou que se trata de uma ''mudança natural'', conforme a nota, a fim de ''dinamizar e azeitar a máquina administrativa''.

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