Curitiba - O presidente do PP no Paraná, deputado federal Ricardo Barros, garantiu ontem que o apoio a Barbosa Neto (PDT), vitorioso anteontem na disputa pela Prefeitura de Londrina, não significa que sua sigla terá participação na futura administração do município. ''Isso não foi conversado. Barbosa não tem nenhum compromisso com o PP'', disse ele, em entrevista à imprensa.
O deputado estadual Antonio Belinati (PP) respondeu de forma semelhante ao ser questionado sobre a participação de correligionários no Executivo. ''A primeira providência do Barbosa vai ser diminuir a quantidade de comissionados. Caso contrário, vai faltar dinheiro para viabilizar os projetos sociais que ele prometeu. Se houver preocupação em agradar aliados ele não vai conseguir governabilidade'', afirmou Belinati, acrescentando que ''nunca participou da administração de ninguém''.
Apesar das declarações, Barros tem agenda conjunta com o candidato eleito a partir de quarta-feira. Barros deve acompanhar Barbosa Neto nas visitas que o pedetista fará a autoridades em Brasília. Amanhã, eles devem conversar com os ministros que se envolveram na campanha eleitoral: Marcio Fortes, Reinhold Stephanes, Carlos Lupi e Paulo Bernardo. A agenda do pedetista para hoje será em Curitiba e inclui um encontro com o governador Roberto Requião (PMDB), uma visita ao Tribunal de Contas (TC) e também à Assembleia Legislativa.
A união entre PP e PDT, duas siglas que integram a base do governo federal, também fica exposta quando o assunto é a disputa de 2010. Ontem, Barros afirmou que o resultado de Londrina tornou o senador Osmar Dias (PDT) ''mais atraente para estar no palanque da Dilma (Rousseff)''. ''A vitória do PDT na segunda maior cidade do Estado ajuda muito o Osmar, se houver de fato uma divisão do grupo'', reforçou Barros, se referindo ao futuro da ampla aliança da oposição no Estado, encabeçada por PSDB, DEM, PDT e PP.
Segundo Barros, o PSDB não pode ''ficar cozinhando'' a candidatura de Osmar. ''O Beto Richa (PSDB) tem que anunciar apoio ao Osmar. Em política não tem bobo'', disse o presidente estadual do PP, contabilizando a força das duas siglas no Paraná: ''O PDT está em Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel, Umuarama, Paranaguá. O PP está em Maringá, Guarapuava, Toledo, Cronélio Procópio''.
O presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, desconversou ontem ao ser questionado sobre as declarações do pepista. ''Eu acho que o PDT ganhou mesmo, tanto que eu liguei para o Osmar ontem, para cumprimentá-lo. Perdemos uma eleição que esperávamos ter ganho e reconhecemos a derrota. Mas nada altera dentro do PSDB'', se esquivou o tucano, que por enquanto mantém o discurso que agrega a ampla aliança da oposição, que continua trabalhando com três nomes para o governo do Estado (Alvaro Dias, Beto Richa e Osmar Dias).
Audiência
Barros afirmou ainda que, apesar do apoio a Barbosa Neto, continuam as tentativas de reverter a cassação do registro de candidatura de Belinati. Na quinta ou sexta-feira, Barros terá uma audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. ''Vamos ver se é possível que o STF julgue o recurso extraordinário do Belinati até a data da posse de Barbosa (que pode acontecer até 3 de maio). É o mínimo que eles poderiam fazer diante da confusão toda'', disse ele.

mockup