Barbosa faz passeata e quer disputar
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segunda-feira, 17 de agosto de 1998
Patrícia Zanin 
Cerca de 70 pessoas, a maioria mulheres e crianças, fizeram ontem uma passeata do centro da cidade até a prefeitura reivindicando a revisão da impugnação da candidatura a deputado estadual do jornalista Homero Barbosa Neto (PPB), deferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Barbosa distribuiu laranjas à população. Seus fãs cantavam a música de seu programa de TV, ajudavam a distribuir santinhos e levavam uma faixa com os seguintes dizeres: Secretário de Belinati arma farsa contra Barbosa Neto.
O diretor administrativo-financeiro da Comurb (Companhia Municipal de Urbanização), Eduardo Alonso Oliveira, é apontado como o possível responsável pela impugnação da candidatura de Barbosa Neto, usando Maria Raquel Dias Paial como autora dos pedidos. Ela também pediu a impugnação das candidaturas de Luiz Eduardo Cheida (PT) e de Célio Guergoletto (PMDB). O pedido contra Cheida foi rejeitado e o de Guergoletto ainda não foi julgado. Alonso nega a autoria, mas confirma que conhece Maria Raquel.
Segundo ele, a moça, que tem 32 anos, morava em Rondônia, mesmo Estado onde Eduardo Alonso viveu. O diretor da Comurb disse que ela mudou-se para Londrina há cerca de três anos. Mas recentemente tentei localizá-la e não consegui.
Ela seria permissionária de uma barraca de uma feira noturna. O assessor comercial da Comurb, Jonas Vieira da Silva, disse que não há pessoa com esse nome com alvará para trabalhar na Feira da Lua. Uma fonte da Folha afirmou que ela mantém uma barraca. A relação com os nomes só é fornecida pela Comurb depois de aprovado requerimento, que pode levar de cinco a 30 dias para ser liberado.
Alonso disse estar sofrendo ameaças de Homero Barbosa Neto e de funcionários da TV ligados ao apresentador. Ele registrou ocorrência ontem na Polícia Civil denunciando ter sofrido ameaça física, danos morais e constrangimento. Desde sexta-feira estão ligando no meu celular e me ameaçando, afirma.
Barbosa negou. Ele afirmou estar sendo alvo de perseguição. Não sou filho do prefeito e quiseram limpar a área, acusou. O jornalista continua em campanha, apesar de estar impugnado pelo TRE - o registro de sua candidatura foi considerado nulo porque ele estava sofrendo um processo penal e não poderia filiar-se. Vamos ganhar no TSE, aposta. Barbosa acusou a prefeitura de dilapidar o patrimônio público.
Ele concentrou-se com os manifestantes em frente à prefeitura, mas o procurador jurídico do município, Eduardo Duarte Ferreira, recorreu à Justiça Eleitoral baseando-se na lei que impede manifestações políticas em frente a prédios públicos. A Justiça determinou a apreensão do caminhão de som e do material de campanha. Duarte Ferreira também disse não conhecer Maria Raquel. Mesmo que seja usada por grupos ou por alguém, tem o direito legítimo de pleitear. Querem transformá-la em vilã, o que não é correto, defendeu.


