Barbosa evita comentar caso de Oscip investigada pela PF
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), preferiu não se manifestar ontem ao ser perguntado, durante entrevista coletiva, se teria sido pressionado pelo grupo do empresário Dinocarme Aparecido Lima - que preside o Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap), a facilitar a assinatura de contratos durante sua gestão. A Oscip - que mantém quatro contratos com a Prefeitura - está sendo investigada pelo desvio de cerca de R$ 300 milhões que teriam sido repassados pelo governo federal.
''Prefiro não responder. Quando for chamado pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal, vou fazer todas as colocações necessárias para contribuir com o processo'', respondeu Barbosa. Segundo sua assessoria de imprensa da Prefeitura, nenhum dos órgãos solicitou esclarecimentos do pedetista.
Durante a entrevista coletiva - primeira vez em que o prefeito se manifestou sobre o assunto desde a prisão dos supostos envolvidos, no dia 11 - Barbosa ainda não soube explicar se o empresário teria doado recursos para suas campanhas a prefeito. ''Parece até que ouvi falar que foi, vou investigar (para confirmar)'', afirmou. ''Mas estou tranquilo em relação a isso, porque não compromete. Comprometeria se eu estivesse sendo leniente, se tivesse facilitado os contratos.'' A reportagem da FOLHA não localizou doações de Lima ou de suas empresas nas prestações de contas do pedetista nas eleições de 2002, 2004, 2006 e 2008.
O prefeito ainda relatou que conhece Dinocarme há mais de 20 anos. ''Vendi propaganda para um curso de corte e costura que ele tinha. Admiro todas as pessoas que prestam serviço para o município mas, a partir do momento em que houver erro, o rigor da lei será respeitado.''
Em 2008, quando era deputado federal, Barbosa Neto foi o interlocutor na liberação de recursos do Ministério do Trabalho para o Consórcio Social da Juventude, que também gerou contrato com o Ciap. Na época, o convênio foi investigado pelo Tribunal de Contas, que suspeitou de irregularidades. ''Consegui trazer o recurso para o Estado, e não para a empresa. Se houve algum problema, o Tribunal de contas deve apurar'', disse.
Redução
Em Londrina, o Ciap detêm os contratos dos serviços do Samu, Policlínica, Controle de Endemias e Programa Saúde da Família. Segundo Barbosa, desde o final do ano passado, os pagamentos realizados ao Ciap pelo município vêm sofrendo redução. ''Mudamos a forma de agir, estamos pagando apenas pelos serviços prestados, pelo número de pessoas contratadas e pelas metas atingidas'', disse. Apenas em maio, o repasse diminuiu de R$ 2,620 milhões para R$ 2,344 milhões.
O secretário municipal de Gestão Pública, Marco Antônio Cito, esclareceu que independentemente da investigação, os contratos seriam revistos. ''A irregularidade é na execução'', afirmou, acrescentando que, apesar dos problemas com a Polícia Federal, a empresa deve continuar prestando os serviços da mesma forma.
Caso a Oscip tenha a condição de cassada, ele garantiu que a prefeitura tem como continuar oferecendo os serviços. ''Podemos fazer uma contratação emergencial.'' Cito esclareceu que a prefeitura ainda não recebeu qualquer notificação oficial sobre a suspeita de desvio de dinheiro pelo Ciap. ''Não fomos informados sobre o período, nem qual é o contrato e o montante (de recursos).''


