O ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (sem partido) deu ontem seu primeiro depoimento na fase de instrução da ação civil pública que cobra o ressarcimento de R$ 129,7 mil pela manutenção de funcionários fantasmas em seu gabinete, durante o mandato de deputado estadual. Ele e quatro testemunhas foram ouvidos a portas fechadas e nenhum quis declarar o teor de seus depoimentos à imprensa.
Barbosa é acusado pelo Ministério Público de ter contratado oito funcionários fantasmas durante seu único mandato de deputado estadual. Segundo a denúncia, os funcionários comissionados eram pagos pela Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, mas trabalhavam no programa Barbosa Neto Show, comandado pelo ex-parlamentar na CNT, ou exerciam funções inerentes aos cargos. O caso, apurado desde 2003, ficou conhecido como "esquema gafanhoto".
Barbosa e onze testemunhas começaram ontem a ser ouvidos pelo juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira. Apesar de o processo tramitar na 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, a fase de instrução ocorre em Londrina devido ao domicílio do acusado e das testemunhas.
Barbosa, que acabou de retornar à televisão, apresentando o policialesco Balanço Geral, na RIC, se recusou a dar entrevista ao sair da sala de audiência. "Desculpe, não posso falar", afirmou, sem justificar o motivo. O advogado dele, Luiz Carlos Mendes, também se negou a dar entrevista porque iria "contrariar a decisão de seu cliente", que já havia rejeitado se manifestar.
Primeira testemunha a ser ouvida, Agnaldo José da Rosa, que denunciou o esquema no gabinete do ex-chefe, também não quis comentar o teor de suas declarações por considerar um "assunto morto". Apenas disse que reiterou suas declarações ao Ministério Público e afirmou que não é um "traidor".
Fabian Trelha disse, após ser ouvido, que foi chamado para "testemunhar as funções" que exerceu como assessor de Barbosa, mas também limitou-se a dizer que reiterou o que está nos autos. Afirmou ainda que atua como gestor de vendas. "A mesma função que exercia na época", informou.
Ao sair da sala de audiência, Walter Luís Braga disse que sua nomeação durou apenas 40 dias e que não continuou porque seu "projeto era outro". "Eu tinha uma empresa de merchandising e não tinha nada a ver com política", disse, ao embarcar no elevador. Evandro Tibúrcio de Camargo, a quarta testemunha, não fez qualquer comentário à imprensa.
Para hoje estão marcadas as oitivas de Marcos Antoni de Melo, Jorge Akira Oyama, João Carlos Gimenes e Roselaine Ferraro Camillo Silva. Na próxima terça serão ouvidas as testemunhas Patrícia Rodrigues Simões, Assad Jannani, Antônio Carlos Mangilli e José Renato Manttovanni.

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