Cambistas que vendem créditos de Cartão Transporte nas proximidades do Terminal Urbano cercaram ontem o prefeito Barbosa Neto (PDT) durante protesto após incidente com fiscais de uma empresa de ônibus e policiais militares. Ele foi abordado pelo grupo enquanto cortava o cabelo num salão nas proximidades. A queixa é que estariam sendo impedidos de trabalhar.
A confusão teria começado quando um suposto vendedor de créditos teve o cartão retido na catraca de um ônibus. O homem ficou revoltado com a situação e protestou, tentando impedir os usuários de acessar o terminal pela entrada da Avenida São Paulo.
De acordo com o diretor de operação da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) Daniel Martins, seguranças do terminal e policiais foram chamados para conter o tumulto e o cambista foi detido. A alegação da PM é que ele foi levado para a delegacia por perturbação do trabalho.
Martins levantou duas hipóteses sobre a retenção: defeito no cartão ou bloqueio requerido pelo dono por roubo ou extravio. O procedimento nesse tipo de caso, explicou, é que o cartão seja liberado em alguns dias e deve ser retirado pelo proprietário na loja de passes. ''Por isso, orientamos que cada usuário use o seu cartão e os seus créditos'', acrescentou.
Os cambistas reclamaram da abordagem dos seguranças e dos policiais. Alegavam, principalmente, que dependem da atividade para sustentar a família. ''Temos direito de trabalhar.''''Só R$ 0,10 não fazem diferença para as empresas.'' ''Aqui em Londrina não tem trampo para todo mundo.'' Essas foram algumas das justificativas apresentadas pelos participantes. A maioria preferiu não se identificar.
Cerca de 300 pessoas trabalham com venda de créditos do Cartão Transporte no entorno do terminal. Gisele Roque Furtado, 28 anos, conta que há uma década e meia ganha o sustento nas ruas. Ela lamentou que o prefeito, que ouviu as queixas no local, não explicou ''como vai resolver o problema.''
Barbosa afirmou que o problema é social, mas que existe uma determinação do Ministério Público para que as vias do Centro sejam desobstruídas. ''Há ambulantes, vendedores de créditos, artesãos. São vários problemas. Vamos analisar e propor a melhor solução na defesa do interesse público'', declarou. Ele acrescentou que a informalidade é um ''problema do País''.
O assessor de comunicação social do 5º Batalhão da Polícia Militar, soldado Paulo Gazzola, afirmou que os policiais foram acionados para acompanhar o caso e encaminhar o homem detido para a delegacia. Ele disse ainda que se houver queixa formal sobre qualquer tipo de procedimento irregular por parte dos policiais, o caso será investigado e os responsáveis punidos.
O diretor de transportes da CMTU Wilson de Jesus disse que a companhia está aberta para auxiliar, mas entende que a fiscalização cabe aos órgãos competentes, como a Delegacia Regional e o Ministério Público do Trabalho.

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