Brasília - Com a "alma leve", o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, despediu-se ontem do tribunal afirmando que a corte não é lugar para pessoas ligadas a "grupos de pressão". Barbosa, 59, participou de sua última sessão no Supremo dizendo estar "com o sentimento de dever cumprido". Há um mês, ele pediu sua aposentadoria do STF, onde poderia permanecer até 2024, quando completará 70 anos.
Barbosa formalizou a sua aposentadoria oficialmente à corte, que enviará o pedido ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Caberá à presidente Dilma Rousseff escolher um novo ministro. O vice-presidente do STF, Ricardo Lewandowski, assumirá interinamente a presidência do Supremo.
Depois que a aposentadoria de Barbosa for publicada no "Diário Oficial", Lewandowski terá duas sessões para marcar a eleição que irá oficializá-lo no cargo, já que, pelo sistema de rodízio, será a vez de ele assumir a presidência.
Em uma despedida discreta, sem discursos e homenagens, Barbosa definiu a sua atuação no STF como a de alguém que "comprou briga sempre que (...) havia tentativas de desviar-se do caminho correto, que é aquele traçado pela Constituição".
Nos 11 anos em que esteve no tribunal, e em quase dois na presidência, Barbosa, escolhido pelo ex-presidente Lula, colecionou polêmicas: atacou jornalistas, discutiu no plenário com ministros, acusou advogados de conluio com juízes e as associações de magistrados de corporativismo.
O ministro disse que o STF "não é lugar para pessoas que chegam com vínculos (a) determinados grupos de pressão (e) para se privilegiar determinadas orientações".
O ministro ganhou fama, elogios e críticas, principalmente como relator que conduziu o julgamento do mensalão - que levou à prisão a antiga cúpula do PT.

mockup