A crise na saúde em Londrina que, a partir de agora, será investigada também pela Assembleia Legislativa do Paraná, trouxe à tona um desentendimento público entre o prefeito Barbosa Neto (PDT) e o único deputado estadual da cidade, Luiz Eduardo Cheida (PMDB), que apresentou o requerimento para a abertura da Comissão Especial (CE).
Barbosa voltou a declarar ontem que a CE da Assembleia tem foco político e, sem citar nomes, insinuou que o deputado quer ''holofotes'' em período-pré eleitoral. O deputado, por sua vez, afirma que a intenção é ajudar Londrina, mas enfatiza que o município não tem justificado adequadamente todos os recursos destinados pelo Estado e pela União para a área da saúde.
Em entrevista coletiva ontem pela manhã, Barbosa disse acreditar que todas as investigações vão, na verdade, representar um ''atestado de boa conduta'' para a atual administração. ''É uma pena que há uma confusão e uma falta de compreesão com relação a esses fatos. É um direito da Assembleia fazer suas investigações. É natural. Mas acho que tem gente aí que está buscando os holofotes. Estamos em um período pré eleitoral e alguns adversários querem o seu palanque'', afirmou o prefeito.
Procurado pela FOLHA, Cheida afirmou que não pretende polemizar as declarações feitas por Barbosa. ''O prefeito se engana se pensa que alguém quer prejudicá-lo. O único interesse que os deputados estaduais têm é ajudar Londrina'', declarou.
No entanto, o deputado declarou que a Prefeiura tem recebido ao mês - somente do Governo do Estado - uma soma que ultrapassa R$ 14 milhões. ''A Comissão vai apurar esses valores e a aplicação efetiva desse montante. O prefeito disse em várias oportunidades que o Estado não tem repassado nada ao município. Nós temos documentos que comprovam que o Estado tem repassado quase que a mesma quantia que vem da União, que é de cerca de R$ 14 milhoes também. Ou seja, Londrina está com um repasse mensal de quase R$ 28 milhões'', afirmou Cheida, acrescentando que há dois meses solicitou informações à Câmara Municipal de Londrina. ''Na segunda esses documentos chegaram com mais de quatro mil páginas e eu pedi a abertura da Comissão Especial'', complementou.
O deputado disse ainda que a Assembleia deve atuar em conjunto com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), que é um órgão auxiliar do Poder Legislativo. ''Se o Estado está mandando dinheiro, fora o teto que vem do Governo Federal, queremos saber se o dinhero está sendo bem aplicado, até porque é um recurso que sai do Tesouro do Estado para quem a situação é de absoluto descontrole. ''Ele (Barbosa Neto) não sabe sequer de onde recebe e nem quanto. E, numa opção mais deplorável, pode estar mentindo. São essas coisas que nós queremos investigar'', argumenta.
Cheida explicou que após a istauração dos procedimentos, o Legislativo Estadual terá 100 dias para a conclusão dos trabalhos. ''A aberura deve acontecer já na semana que vem. Nosso objetivo é sobretudo fazer propostas e apresentar soluções'', acrescentou.

mockup