Em entrevista à imprensa ontem, o prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), saiu em defesa do presidente afastado da Sercomtel Roberto Coutinho Mendes (PDT) e sustenta que houve ''excesso'' na decisão da Justiça. ''Não podemos entender como uma pessoa que faz um saque de R$ 5 mil na sua conta particular, e não na conta da Sercomtel, seja culpado de qualquer coisa'', declarou. Anteontem, o juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Katsujo Nakadomari, determinou o afastamento de Coutinho do cargo na empresa e também a quebra dos seus sigilos bancário e telefônico.
''Houve um excesso. Você afastar um presidente de uma empresa de economia mista que está alcançando resultados consideráveis, que recuperou a sua credibilidade junto à população, porque ele fez um saque? Vamos ter oportunidade de mostrar a inocência de Coutinho'', reforçou Barbosa.
O prefeito também contestou uma das acusações do Ministério Público que deram base ao despacho do juiz: a demora no cumprimento, por parte da Sercomtel, das ordens de interceptações telefônicas relacionadas às investigações do MP sobre a suposta compra de voto. Foram pedidos 22 grampos, que deveriam ser executados pelas operadoras entre os dias 21 de abril e 6 de maio. Com exceção da Sercomtel, as demais operadores (Vivo, Oi e Tim) cumpriram a determinação, ao passo que a operadora londrinense iniciou o procedimento somente no dia 26 de abril. ''Isso (ordem de grampos) não passa pelo conhecimento do presidente. São funcionários de carreira (que executam os grampos). É uma prática normal, corriqueira. Não houve fraude da parte de ninguém, eu acredito, dentro da Sercomtel.''
Questionado se ele indicaria um novo nome para o comando da Sercomtel, Barbosa disse que era preciso consultar o jurídico e que ainda gostaria de conversar com o Coutinho nos próximos dias para ''ver também qual é a intenção dele''. Por enquanto, a vice-presidente da Sercomtel, Eloiza Pinheiro, fica à frente da empresa.

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