Barbosa defende Cito em depoimento de quase duas horas
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quarta-feira, 02 de maio de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Durante quase duas horas, o prefeito Barbosa Neto (PDT) prestou depoimento ao delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, na investigação que apura suposto esquema de pagamento de propina que seria comandado por pessoas ligadas ao chefe do Executivo. Barbosa voltou a defender a inocência do ex-secretário de Governo, Marco Cito, do chefe de Gabinete, Rogério Lopes Ortega, e do diretor de Participações da Sercomtel, Alysson Tobias de Carvalho, que estão presos. ''Todas as pessoas tem o direito à presunção da inocência e nós vamos aguardar as investigações.''
Acompanhado pelo advogado João dos Santos Gomes Filho - que também defende Cito, Ortega e Carvalho -, o prefeito, que foi ouvido como testemunha, afirmou ter respondido a todas as perguntas do delegado. Durante entrevista coletiva, Barbosa confirmou ter se encontrado com o ex-secretário de Governo na segunda-feira, dia 23, um dia antes das prisões. Segundo a reportagem apurou, neste dia, teria ocorrido uma reunião na Sercomtel e o presidente da empresa, Roberto Coutinho Mendes, ao prestar depoimento no Gaeco, teria negado a presença de Cito. Quando saía do MP, Mendes não quis comentar o teor das declarações aos promotores.
Sem confirmar se o encontro foi na telefônica, Barbosa disse que não vê problemas na presença de um ex-secretário em reuniões que seriam para tratar, segundo ele, da vinda de empresas para a cidade. ''Tive diversas reuniões com secretários e ex-secretários e, inclusive, dei esse esclarecimento (ao delegado). Estávamos recebendo empresários que querem investir em Londrina.'' Segundo o prefeito, muitos projetos eram tocados por Cito na época em que era secretário e, portanto, ''ele tem condições de dar opiniões''.
Questionado se pode exonerar o chefe de Gabinete, preso, Barbosa afirmou que confia na inocência dele e tomará as ''devidas providências'' tão logo o inquérito seja concluído para que ele tenha ''acesso aos fatos''. Barbosa negou que a sua administração seja prejudicada pelas denúncias, mas reconheceu o constrangimento. ''Ficamos constrangidos e preocupados, mas até agora não há nada que comprove que agentes públicos ligados a nós tenham feito isso.''
O prefeito afirmou que acredita numa armação organizada pelo vereador Amauri Cardoso (PSDB), denunciante do suposto esquema. ''Pelo que eu li, o dinheiro (apreendido) estava com o vereador e isso pode ter sido uma armação dele.'' Segundo as investigações do Gaeco, o empresário Ludovico Bonato teria entregue os R$ 20 mil para o parlamentar a mando de Marco Cito.


