Barbosa acusa ex-líder de tráfico de influência
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quinta-feira, 03 de dezembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Uma troca de acusações - algumas, em tom chulo - marcou ontem o bate-boca, via imprensa, entre o prefeito Barbosa Neto (PDT) e seu ex-líder na Câmara Municipal de Londrina, vereador Joel Garcia. Na coletiva em que falaria sobre a área do futuro aeroporto de cargas da cidade pelo projeto Arco Norte, e mesmo sobre o afastamento de comissionados em função das eleições de 2010, Barbosa disparou contra o ex-aliado ao ser questionado sobre as supostas irregularidades, levantadas por Joel e pelo vereador Marcelo Belinati (PP), na véspera, na contratação da empresa responsável pelo concurso da Guarda Municipal, cuja prova está marcada para o próximo domingo. Barbosa afirmou que as críticas do pedetista seriam retaliação às supostas negativas da Secretaria Municipal de Gestão Pública a pedidos que Joel teria feito para que empresa dele, ou ligada a familiares dele, fosse beneficiada na licitação para fornecimento de insumos (no caso, hortifrutigranjeiros) da merenda escolar. Só esse item do edital, o qual acabou suspenso, estava orçado em cerca de R$ 2 milhões.
De acordo com o prefeito, as abordagens teriam ocorrido ao secretário de Gestão, Marco Cito, há cerca de duas semanas, e comunicadas ''extraoficialmente'' ao Ministério Público (MP). Os promotores de Defesa do Patrimônio Público, Leila Voltarelli e Renato Castro, admitiram a procura do prefeito para tratar de suposta tentativa de Joel em influenciar a licitação, mas negaram que tenha sido levado qualquer elemento concreto que a substanciasse. ''Não veio qualquer elemento de prova nesse sentido, mas nos colocamos abertos a recebê-lo, caso haja'', resumiu o promotor.
Na coletiva, Barbosa acusou o ex-líder de ''presença constante nos corredores da Prefeitura'' no sentido de ''fazer lobby para ser beneficiado na licitação''. O prefeito afirmou que já relatara de forma não oficial essa e outras supostas investidas junto ao MP, mas que ''a gota d'água'' para trazer o caso a público teriam, de fato, sido as críticas ao concurso da Guarda.
''Esses vereadores prestam um desserviço à segurança da cidade. Se há algo grave, que se consiga uma liminar ou se leve ao MP com provas documentais e testemunhais. Talvez alguns lá (na Câmara) estivessem acostumados a um tempo de 'caixa 2', de maracutaia, superfaturamento, mas eu não vou sair algemado da administração municipal. Não vamos escorregar nessa casca de banana'', vociferou, para continuar: ''De agora em diante vamos mudar o estilo, estamos acelerando e esses que querem jogar para a torcida que peguem sua viola''. Em seguida, Barbosa insinuou: ''Tem vereador, por exemplo, que tem carro apreendido pro falta de pagamento de IPVA e liga para funcionário nosso intervir; ou pede que seja favorecido em licitação de merenda. Esse vereador deveria cuidar do rabo dele''.
Instado a citar nomes, o prefeito citou o do ex-líder. ''Ele não sai dos corredores da prefeitura, e pedia sim, em atitude de lobby, para a empresa dele ser liberada na licitação. Agora, está em desespero'', alfinetou. Por que a denúncia extraoficial, e não oficial, à Promotoria? ''Quando um prefeito vai ao MP, vai para colaborar'', encerrou.
Logo após a coletiva, e após contato telefônico de Barbosa, o secretário de Gestão foi ao MP - mas, ao contrário da expectativa criada na própria Prefeitura, não compareceu para nenhum tipo de denúncia, e sim, para explicações no procedimento instaurado pelos promotores para analisar a dispensa de licitação para contratação da empresa Iprocade para o concurso da Guarda. Cito, contudo, reforçou as declarações do prefeito sobre supostas investidas de Joel, as quais, garantiu, teriam sido presenciadas por outros secretários e funcionários da equipe de governo. ''Neguei que duas empresas fossem desclassificadas, avisei sobre o cancelamento do edital, e, hostil, o vereador me disse que então iria para a oposição'', definiu.


