Barbalho recua e deixa relatoria do PPA
Gerson Camarotti e Sônia Cristina Silva
Agência Estado De Brasília
Depois de 15 dias de confronto pela relatoria do Plano Plurianual de Investimentos (PPA), os líderes partidários no Congresso conseguiram encontrar ontem uma solução para o que prometia ser o maior e mais grave embate político entre dois dos principais caciques governistas: os presidentes nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Depois de uma difícil negociação que durou mais de duas horas ontem, Barbalho abriu mão da relatoria do PPA onde se instalara na condição de que o cargo permanecesse nas mãos de um deputado do PMDB. Segundo o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), o nome do relator só será divulgado na segunda-feira. A saída encontrada para o impasse foi comemorada pelos peemedebistas como uma vitória do partido, que continuou com a relatoria.
A decisão só saiu depois de uma longa reunião do Colégio de Líderes no gabinete da Comissão Mista de Orçamento. Foi uma vitória, claro!, avaliou Barbalho. Afinal, a relatoria ficou com o PMDB, completou ele, lembrando que não estava travando nenhuma luta pessoal. Minha ação foi partidária e, agora, me dou por satisfeito. Alguns parlamentares avaliaram o episódio como uma derrota pessoal de ACM. O Jáder deixou claro que o senador Antonio Carlos é presidente e não dono do Congresso, comentou o deputado Marcelo Déda (PT-SE).
No início da tarde, na sessão do Congresso, ACM resolveu considerar prejudicada a questão de ordem levantada no dia anterior pelo líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PI), que pedia a destituição de Barbalho do cargo de relator. O clima tenso dos últimos dias só foi quebrado depois da reunião da Comissão de Orçamento, quando Barbalho foi ao plenário do Senado abraçar Antonio Carlos Magalhães e comunicar a decisão definida pelo Colégio de Líderes.
Pouco depois, na sessão do Congresso, os dois políticos fizeram discursos conciliadores. Erros foram cometidos pelo presidente do PMDB, como foram cometidos pelo presidente do Senado, disse ACM, fazendo uma avaliação da disputa travada entre os dois. Mas, agora, fica selada a união.
ACM também ressaltou o gesto do presidente do PMDB. Só foi possível a solução graças ao desprendimento do senador Jáder Barbalho, elogiou ACM, que também lembrou a participação decisiva do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), na mediação do confronto.
Barbalho também foi conciliador no discurso. Quero festejar a nossa divergência e a nossa convergência e lembrar que o calor das nossas manifestações não se confunde com questão pessoal, ressaltou o senador paraense.





