Barbalho faz proposta de conciliação
O líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), levou ontem à noite ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma proposta de acordo sobre a reeleição, vista por ele como último recurso para evitar o rompimento do partido com o governo. O PMDB se compromete a votar a favor da emenda se ela for apresentada ao plenário em 5 de fevereiro, um dia depois das eleições para as presidências da Câmara e do Senado.
Pela proposta de acordo, o governo teria de se comprometer também com três itens: referendo sobre a reeleição, desincompatibilização dos candidatos em cargos executivos e uma lei de fidelidade partidária. Podemos chegar a isso por meio de emendas aglutinativas na proposta que está tramitando na Câmara, explicou Jáder. O gesto político do entendimento importa mais que as fórmulas legislativas.
O presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL), estimula o entendimento, mas acha praticamente impossível o adiamento da votação em primeiro turno na Câmara, que o governo marcou para quarta-feira. Além disso, os articuladores do Planalto asseguram que já têm os votos necessários para a aprovar a emenda. De toda forma, é fundamental evitar um rompimento, disse Vilela, pouco antes do encontro entre Jáder e Fernendo Henrique.
A tentativa de acordo tem o aval da bancada do PMDB no Senado (inclusive os rebeldes que controlam cerca de 30 votos na Câmara), do presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE), e do senador José Sarney (AP). Assim, as coisas não ficam nem tanto ao mar nem tanto à terra, endossou Sarney. Não vão poder dizer que somos intransigentes. Mas o líder do partido na Câmara, Michel Temer (SP), não levou a proposta de Jáder à bancada na Câmara, e segue a decisão do governo de votar no dia 29.
PMDB quer referendo
sobre a reeleição
e discutir a
fidelidade partidária
O candidato do PMDB à presidência do Senado, Íris Rezende (GO), disse que votará a favor da reeleição, se a proposta for aceita, mesmo que seja derrotado pelo candidato do PFL, Antônio Carlos Magalhães (BA). O presidente sabe que sou a favor e tudo o que quero é a isenção do governo nas eleições do Senado, disse Iris. O senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) já havia sugerido o adiamento ao presidente, numa conversa terça-feira à noite.
Os senadores do PMDB consideram que o rompimento será inevitável se o governo não aceitar a proposta. O senador José Sarney mandou um recado ao presidente, por meio de Teotônio Vilela: Diga a ele que eu vou à televisão, faço um pronunciamento na tribuna, empenho minha palavra e meu voto a favor da reeleição, garantiu. Mas ele não pode impor a votação numa data que contraria a nossa convenção e que poderá dividir o partido.
A proposta de acordo gira basicamente em torno da data, pois o PMDB poderá, em último caso, formar uma frente para impor as outras três condições, quando a emenda tramitar no Senado. Assim mesmo, se o governo aceitar o adiamento, a votação só ocorreria em março, para dar tempo de acomodar os grupos que forem derrotados nas eleições para as mesas do Legislativo. No dia 5, um dos dois lados estará de cabeça quente, como é natural após as derrotas, ponderou Teotônio Vilela.Agência Estado
Agência EstadoNo mesmo lugar Paes de Andrade (primeiro à esquerda) e Jáder Barbalho (segundo à direita) com senadores do PMDB: posição irredutívelDe Brasília





