Barbalho critica manobra de governista
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segunda-feira, 23 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - O líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), condenou ontem a manobra do líder do governo, senador Élcio Álvares (PFL-ES), que retirou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos da pauta de convocação extraordinária do Congresso em janeiro, suspendendo por mais de um mês o funcionamento da Comissão.
A retirada da CPI dos Títulos da agenda da convocação definida pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ocorreu na quinta-feira, véspera da publicação da pauta. Élcio Álvares alegou que a inclusão da CPI não seria muito oportuna neste momento. Na sexta-feira, Sarney informou que Élcio Álvares tinha dito que falava em nome do presidente Fernando Henrique Cardoso ao pedir a retirada da CPI da pauta. O presidente negou que tivesse orientado o seu líder nesse sentido.
Em Nova Petrópolis, interior do Rio Grande do Sul, o presidente Fernando Henrique economizou palavras ao ser indagado ontem se ainda apoiava a CPI em curso no Senado: Claro, claro, resumiu, deixando nítida sua intenção de não prolongar o assunto. Na sexta-feira, o presidente afirmou que ficou combinado com Sarney que a inclusão ou não da CPI na pauta da convocação extraordinária seria decidida pelo próprio Congresso, ouvidas as lideranças. Autor do requerimento da CPI dos Títulos, o líder do PMDB disse que não foi ouvido e nem pediu que Élcio Álvares a retirasse da pauta.
O vice-líder do governo, senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), lamentou que a CPI esteja fora da convocação de janeiro e garantiu que os trabalhos de investigação em torno da emissão de títulos públicos pelos governos estaduais e prefeituras e o esquema de comercialização no mercado financeiro não vão parar. A partir de 15 de fevereiro, a CPI vai funcionar de qualquer maneira e antes disso temos muito documento em mãos para examinar, afirmou. Já na primeira semana da convocação, o senador pretende levar documentos relativos às operações da empresa IBF na comercialização de títulos à Polícia Federal. Nós já sabemos quem é a IBF e temos elementos suficientes para que a Polícia Federal abra inquérito, afirmou.
Kleinunbing disse que já combinou com o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), que os trabalhos de pesquisa e análise de documentos não sejam interrompidos durante janeiro. O relator confirmou que não pretende paralisar as atividades durante a convocação extraordinária. Segundo Kleinubing, a CPI não será prejudicada porque os depoimentos de governadores e prefeitos podem perfeitamente ficar para fevereiro. Os depoimentos são relativos, o importante é a pesquisa e a quebra de sigilo bancário.


