Baratter põe liderança à disposição
Leandro Donatti
De Curitiba
O deputado Antonio Carlos Baratter, líder da bancada do PSDB na Assembléia do Paraná, acusado pela CPI do Narcotráfico de envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro no Estado, vai colocar seu cargo à disposição dos deputados do partido, na próxima segunda-feira. O anúncio foi feito ontem pelo próprio deputado, em entrevista à Folha e atende em parte a sugestão feita pelo presidente regional do PSDB, senador Alvaro Dias.
Alvaro defendeu anteontem a licença do deputado até que as suspeitas de lavagem de R$ 30 milhões, que teria sido feita através de uma casa de câmbio da família Baratter, sejam dissipadas. Vou abrir a discussão para os deputados. A bancada é que vai decidir se fico ou não na liderança do governo, disse Baratter, adiantando que só quer discutir a liderança, sem abrir mão da cadeira na Assembléia.
Baratter afirmou que a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, decretada pela CPI na semana passada, ainda sem um resultado conclusivo, não o preocupa. Tudo o que tinham de investigar, já o fizeram. Sequestraram os meus bens, fuçaram a minha vida e investigaram a minha alma, avaliou, referindo-se ao processo judicial instaurado pelo procurador da República Celso Três e que corre na Justiça Federal.
O deputado anunciou também que prepara, neste final de semana, um pronunciamento para segunda-feira. Baratter vai usar a tribuna da Assembléia em Curitiba, para se defender das acusações que lhe são imputadas pela CPI. A cidade de Cascavel sabe muito bem quem eu sou. Não sei de nada dessa história de narcotráfico. Sou contra as drogas, ressaltou o deputado.
Baratter disse que não toca mais a Cash Câmbio e Turismo, casa de câmbio que caiu na malha-fina da CPI, há cerca de 20 dias. A empresa teve de ser fechada depois de todas essas investigações, informou. O deputado tucano repassou para Romildo José Machado a responsabilidade pela movimentação dos R$ 30 milhões, detectados pelos integrantes da CPI com a quebra de sigilo. As operações ocorreram de 5 de fevereiro de 1997 a final de maio do mesmo ano.
Nesse período, a casa de câmbio não era mais controlada pela nossa família. Estava alugada para o Machado. A empresa não estava nas nossas mãos, assinalou Baratter ontem. Machado é apontado pela CPI do Narcotráfico como um dos laranjas no esquema de lavagem, com atuação também na região de Foz do Iguaçu.
O deputado disse que vai usar a tribuna da Assembléia na segunda-feira: Não para me defender, mas para falar a verdade, disse. Baratter acredita que exista por trás das investigações da CPI uma tentativa de desestabilizá-lo politicamente. Estão levantando isso agora por que eu sou deputado, observou Baratter, que está na vaga do deputado Sérgio Spada, que se licenciou para assumir a Secretaria de Defesa do Consumidor.
Baratter iniciou ontem uma romaria de entrevistas, com o objetivo de esclarecer a questão. Ontem, o deputado tinha uma entrevista agendada na TV Tarobá. Hoje, às 9h30, concede uma coletiva em seu escritório político em Cascavel.





