Baratter: ''Arrebentaram minha vida''
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O deputado Antônio Carlos Baratter, líder do PSDB na Assembléia Legislativa do Paraná, disse ontem em Cascavel, onde tem domicílio, que a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, pela CPI do Narcotráfico, nada acrescenta às investigações que já haviam sido feitas a pedido da Procuradoria da República em Cascavel, inclusive com a mesma quebra de sigilo, e sequestro de bens dele e de seu irmão, o empresário Mauro Baratter. Arrebentaram minha vida já naquela ocasião, desabafou, em entrevista coletiva, e referindo-se aos prejuízos morais e econômicos que estaria sofrendo.
Baratter era sócio minoritário da Casa de Câmbio Cash, aberta em 1993 e dirigida por seu irmão, até ser arrendada no início de maio de 97 para Romildo José Machado, que já atuava no câmbio, em Cascavel e Foz do Iguaçu. Entre fevereiro e maio daquele ano teriam sido lavados R$ 30 milhões através da Cash, com contas abertas em nome de laranjas pessoas simples que apenas vendem seus nomes (mediante remuneração) para que detentores de grandes quantias enviem para o exterior dinheiro de origem não explicada. O dinheiro lavado pode ser oriundo de vários tipos de crimes.
Segundo o procurador da República Celso Três, que pediu as investigações, entre as possibilidades para a origem do dinheiro estão sonegação fiscal, corrupção, contrabando e narcotráfico. Baratter observou que o fato da quebra de seu sigilo ter sido pedido pela CPI do Narcotráfico resulta, em termos públicos, em sua vinculação automática com o tráfico de drogas de forma indevida. É isso o que é passado para as pessoas, e é um absurdo, pois minha família nunca se envolveu em negócios escusos, e eu só aparecia na casa de câmbio para tomar o cafezinho, disse.
O deputado acha que a quebra de seu sigilo deve-se apenas ao fato de eu ser político, pois até esqueceram de meu irmão. Ele e Mauro Baratter permanecem com os bens sequestrados, enquanto não se concluem as investigações e não se inicia a fase de julgamento pela Justiça Federal. Fomos julgados e condenados previamente. É o mesmo que alguém subir num prédio, espalhar um saco de penas e dizer: vai lá, Baratter, tente recolher todas elas, parodiou, acrescentando que lhe resta esperar uma sentença judicial, daqui a não sei quanto tempo, para que eu possa tentar recolher as últimas penas espalhadas.
A Folha apurou que Baratter nunca participou ativamente de negócios de sua família, iniciados com a atividade agrícola, do que lhe resultou uma herança de 309 alqueires de terras, em área de alto valor comercial, em Cascavel. A propriedade foi vendida para a Copel há três anos. Formado em Direito e Sociologia, ele sempre se dedicou à política, como vereador e organizador de diretórios do PSDB. Seus adversários dizem que ele nunca pegou no pesado, ou seja, não trabalhou de forma efetiva. O próprio Baratter afirma: Sempre vivi fazendo política, esta é a minha vida, mas também fiz palestras remuneradas sobre Sociologia.
O próprio Celso Três, em várias ocasiões, admitiu que Baratter não tinha vinculação com o dia-a-dia da Cash, e poderia não dominar a mecânica de funcionamento da casa de câmbio e suas vinculações. No entanto, Três achava que o fato de ele ter assumido como deputado, na condição de suplente de Sérgio Spada (PSDB), de Foz do Iguaçu (que é secretário estadual de Defesa do Consumidor), poderia livrá-lo temporariamente de incriminação em suas investigações, e de novos enquadramentos como agora, via CPI do Narcotráfico. Baratter deve permanecer na Assembléia até abril do próximo ano, quando Spada reassumirá o cargo.
Baratter prepara para amanhã um pronunciamento na Assembléia Legislativa sobre a polêmica. Anteontem, ele disse à Folha que seu cargo de líder do PSDB na Casa está à disposição.





