O Banco Central pode voltar a investigar o caso Banpará. Um ofício do Ministério Público do Estado do Pará, enviado ao BC na sexta-feira, requisita uma equipe de assessores para auxiliar no trabalho dos procuradores que resolveram continuar a apuração do desvio de recursos do banco estadual, que teria beneficiado o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e familiares. A idéia dos procuradores estaduais é contar com especialistas em finanças que possam ajudar a destrinchar o caminho do dinheiro e aprofundar o trabalho.
O pedido, se atendido pelo BC, deve piorar ainda mais as relações com Barbalho. Desde que o presidente Armínio Fraga disse aos jornais, numa resposta a provocações do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, que poderia enviar novamente o relatório sobre as investigações no Banpará ao Senado e ao MPE, Jader Barbalho não tem poupado críticas à direção do BC. A situação ficou ainda pior depois que Fraga enviou um ofício ao MPE no Pará garantindo que o parecer jurídico do BC usado como justificativa para arquivar o caso, não tinha poder conclusivo.
Não existem razões técnicas para que o BC negue o pedido. Isso porque sempre que o assessoramento do banco foi requisitado, por CPIs ou mesmo pelo Ministério Público, os servidores foram cedidos.
Se o presidente do Senado corre o risco de ter especialistas do BC em seu encalço, não tem do que reclamar o ex-senador e inimigo declarado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Convidado a depor no inquérito da Polícia Federal que investiga as fraudes na Sudam, ACM disse ao delegado Hélbio Dias Leite, que apura o caso, que esse não seria o momento político ideal para prestar depoimento. Ele se ofereceu, entretanto, a enviar toda a documentação que tem em seu poder.
Os documentos que serão enviados por ACM serão cruzados com outros 1.250 quilos de papéis apreendidos pela PF em vários locais do País. Até agora, as investigações apontam envolvimento indireto de alguns políticos no caso, mas não há pistas concretas que confirmam a influência do senador Jader Barbalho no esquema de irregularidades.
O elo de ligação seria apenas a família Soares, formada pelos irmãos José Soares Sobrinho, Sebastião e Romildo Onofre, todos suspeitos de terem fraudado projetos em Altamira (PA) e Paraíso do Tocantins (TO) para a obtenção de recursos públicos. Inclusive, a PF investiga 21 projetos financiados pela Sudam no reduto de Barbalho, sendo que, pelo menos cinco deles, são de integrantes do PMDB na região.
Esta semana, o delegado Dias Leite começa a ouvir o depoimento dos principais acusados do caso, como Romildo Onofre Soares, que usou quatro laranjas - incluindo seu filho e sogro - para abrir três projetos em Tocantins. Na semana passada, o sogro de Soares, Pedro Souza, prestou depoimento, mas o delegado mantém as informações em sigilo. Há uma semana, a PF começou a abrir os computadores apreendidos em diversos escritórios de consultoria e na casa de ex-dirigentes da Sudam. As informações obtidas também serão cruzados com os documentos encaminhados por ACM e outros já em poder dos investigadores.

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