Curitiba - Cerca de US$ 10 milhões emprestados pelo Banestado a três empresas em 1998 teriam financiado a campanha de reeleição do ex-governador Jaime Lerner (PSB). A Jabur Toyopar Importação e Comércio de Veículos, a Tucumann Engenharia e Empreendimentos Ltda. e a Redran Construtora de Obras Ltda. teriam emprestado a razão social para o comitê de Lerner utilizar o dinheiro. As acusações foram feitas ontem de manhã pelo governador Roberto Requião (PMDB) na reunião semanal do secretariado. Na semana passada, o governador já havia acusado Lerner de usar o banco estatal, adquirido pelo Itaú em outubro de 2000.
Em 1998, Requião disputou o governo estadual concorrendo com Lerner. ''O governo do Estado solicitou a um grupo de empresários que fizesse empréstimos em paraísos fiscais, para os quais receberiam o aval do Banestado'', disse o governador. Segundo ele, as empresas começaram a pagar utilizando precatórios adquiridos no mercado paralelo com deságio, as quais o banco recebia pelo valor de face, gerando prejuízo. ''Isso se transformou em escandâlo e o banco parou de aceitar os precatórios, mas sobraram os das empresas Tucumann, Redran e Jabur'', relatou Requião.
''Quando o Stephanes foi ao banco (Reinhold Stephanes, atual secretário de Administração e presidente do Banestado entre 1999 e 2000) e solicitou o pagamento, essa gente disse que o empréstimo não era deles, porque eles não pegaram o dinheiro, e que a responsabilidade era do governo estadual, porque eles haviam emprestado apenas as razões sociais'', acrescentou. Requião repetiu a denúncia à tarde. Desta vez, pessoalmente para a procuradora-geral de Justiça do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes, para quem pediu providências como a quebra de sigilo bancário.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a Redran e a Tucumann, além da Jabur Toyopar, obtiveram empréstimos irregulares no Banestado no valor de US$ 3,5 milhões junto à agência do banco nas Ilhas Cayman. As operações teriam sido conduzidas pelo diretor do banco na época, Gabriel Nunes Pires Neto, que teve a prisão decretada na semana passada. Os empréstimos tinham data de vencimento para depois do fechamento da agência do banco nas Ilhas Cayman, em 5 de janeiro de 1999, e nunca foram pagos. O MPF denunciou outras sete pessoas pelo crime, entre elas o doleiro Alberto Youssef, que também está preso em Curitiba.
O MPF informou, através da assessoria de imprensa, que não tem conhecimento das denúncias feitas ontem por Requião. A Tucumann também teria doado R$ 220 mil para a campanha de reeleição do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), que faz parte do grupo de Lerner, em 2000.
A Folha tentou contato com Stephanes para confirmar as informações dadas por Requião, mas secretário não atendeu à reportagem.

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