Banestado receou operação de R$ 12 milhões
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quinta-feira, 15 de junho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
Uma auditoria interna do Banestado constatou irregularidades na venda de 4,5 milhões de ações da Sercomtel S.A. para a Corretora Banestado, no valor de R$ 12 milhões, em maio de 1998. A informação é do próprio presidente do banco, Reinhold Stephanes. A operação foi considerada não regular quanto aos seus aspectos de realização, ou seja, algumas formalidades legais não foram obedecidas. O banco auditou a operação e repassou as informações para o Ministério Público e para o Banco Central. Para nós, hoje, isso é assunto vencido, informou por telefone, de Curitiba.
Stephanes não detalhou quais seriam essas irregularidades, mas apontou alguns exemplos. Um deles é o fato das ações da Sercomtel não estarem registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que possibilitaria a venda das ações na bolsa de valores. Por isso, na época a operação poderia até ser considerada de risco para o banco, observou.
Outro detalhe, segundo Stepnhanes, é a própria natureza da operação venda de ações caucionadas, com direito a recompra considerada não usual pelo banco. Não era uma operação de crédito normal. Mas não sei quem autorizou. Na época, o presidente do Banestado era Manoel Garcia Cid (Neco Garcia), que ontem não foi localizado.
Stephanes destacou que, apesar dos problemas, a compra de ações foi considerada um bom negócio. Sob o ponto de vista econômico, não houve prejuízo. Ele adiantou que a corretora está colocando as ações a venda, mesmo com a impossiblidade de atuar na bolsa. Pode haver alguma dificuldade. Mas a Sercomtel está bem no mercado e nada impede que as ações sejam vendidas. O papel tem valor.
O presidente do Banestado acrescentou que as ações valorizaram e hoje representam aproximadamente 12% do capital da empresa, valendo cerca de R$ 16 milhões no mercado, R$ 4 milhões a mais do que o banco pagou.
O negócio entre a Sercomtel e o Banestado já é alvo de um inquérito civil aberto anteontem pelo Ministério Público. A dúvida dos promotores é saber onde está o dinheiro e também por que o município realizou uma operação poucos dias depois de receber R$ 186 milhões pela venda de 45% das ações para a Copel.
Ontem à tarde, o promotor Cláudio Esteves enviou ofício ao Banestado requisitando cópia toda a documentação referente ao negócio, inclusive o trabalho de auditoria que apurou as irregularidades. O MP também solicitou à prefeitura documentos sobre a transação; enviou ainda ofício à Câmara requerendo cópia das leis que estabelecem critérios para venda de ações.
Além disso, Esteves pretende ouvir hoje de manhã e à tarde dois funcionários da Secretaria de Fazenda da prefeitura. Ele informou que, se forem constatadas nulidades no processo, o MP pode até pedir o cancelamento do negócio. Mas ainda é muito cedo para falar nisso, ponderou.


