O reajuste da taxa selic (um indicador econômico fixado pelo Banco Central para corrigir distorções de créditos) vai elevar em cerca de R$ 550 milhões o socorro financeiro do governo federal ao Banestado. Em vez de R$ 3,75 bilhões, como prevê a proposta de saneamento e consequente privatização do Banco, a União vai liberar algo em torno de R$ 4,3 bilhões em títulos públicos para o Banestado. Os R$ 100 milhões que serão destinados para a Agência de Desenvolvimento, que vai cuidar do fomento no Estado, fecha o empréstimo federal hoje em R$ 4,4 bilhões. As informações foram repassadas ontem pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis.
Se a correção da taxa for linear, a contrapartida do governo estadual para sanear o Banco também sobe, de R$ 350 milhões para aproximadamente R$ 450 milhões. O secretário disse que a correção dos valores está respaldada na mensagem que passou pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na semana passada, e que aguarda a ratificação dos senadores em plenário. O Senado aprovou ontem requerimento que coloca o empréstimo em regime de urgência. Gionédis espera que o assunto entre em pauta amanhã. ‘‘O acordo com o Banco Central foi firmado em 31 de março desse ano e a taxa selic oscilou entre 1,8% e 2% ao mês’’, calculou.
A revelação dos novos números veio dez dias depois do presidente do Banco, Manoel Garcia Cid, sinalizar a necessidade do reajuste. Neco Garcia, entretanto, preferiu não revelar se o socorro aumentaria ou não. A oposição já havia detectado a alteração dos valores para o Banestado há pelo menos uma semana. O senador Roberto Requião (PMDB) afirmou que já sabia que a mensagem firmada entre Lerner e a cúpula do BC permitia a correção. ‘‘Estão jogando fora uma Vale do Rio Doce e meia’’, criticou. Osmar Dias (PSDB) disse que a correção poderia ter sido menor se o governo do Paraná tivesse agilizado a tramitação da proposta no Senado.
Ângelo Vanhoni (PT) também fez considerações a respeito do reajuste. ‘‘O passivo aumentou graças a outras operações menores feitas irregularmente’’, acusou. O deputado não detalhou qual o tipo de operação. Ele disse ter informações dando conta que o Banestado chegou a pagar R$ 30 milhões ao mês em juros de interbancárias (socorro financeiro feito a outros bancos para cobrir o caixa) e de redesconto (socorro mais sério dirigido à Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, com juros mais elevados). Giovani Gionédis disse que não procedem as acusações. O secretário afirma que a alteração dos valores se deve unicamente à taxa selic.
BNDES O governo do Paraná está de ‘plantão’ no aguardo de um chamado da cúpula do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para discutir a possibilidade de liberação do empréstimo-ponte de R$ 1,2 bilhão, para dar liquidez ao Fundo de Previdência e garantir fôlego em caixa para o pagamento do 13º salário dos servidores públicos. O governador Jaime Lerner (PFL), que pretendia embarcar para o Rio de Janeiro ontem à tarde - como anunciou na segunda-feira - teve de cancelar sua viagem pela manhã.
A assessoria do presidente interino do BNDES, Pio Borges, ligou para o Palácio Iguaçu informando que sua agenda estava comprometida ontem, mas sinalizando que não está descartada uma conversa com o governo estadual ainda nessa semana.

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