Banestado põe Del Paraná à venda e obtém socorro de R$ 1 bi do BC
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Carmem Murara 
O governo do Paraná venderá o Banco Del Paraná, extensão paraguaia do Banestado, até o final de novembro. A venda foi definida no final de junho, mas só ontem revelada. Ontem mesmo começaram a aparecer os primeiros interessados na compra. A negociação das ações, que cabem ao governo do Estado no Del Paraná, deve totalizar entre US$ 25 e US$ 30 milhões. Além de vender o banco paraguaio, o governo fechará as duas agências internacionais do Banestado em Nova York e Ilhas Cayman, esta por estar localizada num paraíso fiscal. O socorro de R$ 1 bilhão do Banco Central, através do Proes, também foi anunciado ontem.
A venda não representa a privatização da instituição, pois a parte do governo poderá ser comprada por outro órgão público paraguaio. Das ações ordinárias, o governo detém 74% do controle. O restante está nas mãos de sócios paraguaios.
O Del Paraná é o maior em agências (12) no Paraguai. Pelos dados do último balanço, ele ficou em 6º lugar em patrimônio líquido, faturamento e lucratividade. No ano passado, pela segunda vez em sua história, a instituição apresentou um lucro de US$ 2,8 milhões. O resultado só não superou os US$ 6 milhões de 1996, porque a diretoria precisou destinar parte do resultado para pagar débitos e operações mal sucedidas feitas até 94. Foram injetados US$ 9 milhões para pagar as transações financeiras de risco, que não foram honradas.
Hoje, o Banco Del Paraná é um banco equilibrado e saudável, mas que sofreu um processo de evasão financeira, disse ontem o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid. Ele afirmou que havia US$ 25 milhões aplicados em carteira no Del Paraná, mas que saíram do banco US$ 17 milhões desde outubro de 97. A fuga de investimentos se deu por causa de mudanças políticas no Paraguai. A estimativa de lucro para este ano era de US$ 7 milhões, mas os valores estão sendo revistos.
Quanto ao processo de fechamento das duas agências internacionais do Banestado, o governo resistiu ao máximo à pressão do BC. No início deste ano, Garcia declarou à Folha que o resultado financeiro da agência de Nova York impedia a venda. Não há condições de aceitar o que o Banco Central quer, afirmou, ao se referir a NY. O lucro foi de US$ 3 milhões, em 97. Ontem, o presidente do Banestado disse que o fechamento das agências é um processo irreversível.


