Banestado não pagou propaganda de Lerner, diz ex-presidente
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba O ex-presidente do Banestado Manoel Campinha Garcia Cid, o Neco Garcia, e o ex-coordenador de Comunicação do banco José Schlapak negam que o banco tenha usado verbas próprias para fazer propaganda do governo estadual durante 1998. Neco Garcia e Schlapak respondem juntamente com o ex-governador Jaime Lerner (PSB) e o ex-secretário estadual de Comunicação Jaime Lechinski a uma ação movida pelo Ministério Público (MP) estadual, que acusa os quatro de terem utilizado R$ 16 milhões do banco para fazer propaganda do governo durante o período eleitoral, o que é proibido por lei.
Segundo Neco Garcia, as propagandas realizadas no período foram feitas para informar aos acionistas minoritários que o governo estadual iria vender sua cota de ações no banco e reforçar a imagem do banco. ''Essa divulgação foi benéfica para o Banestado. A propaganda é utilizada para mostrar um produto aos consumidores, e foi o que foi feito com o banco. A prova de que a divulgação teve sucesso foi o preço atingido na venda do banco, muito superior ao que o mercado esperava.'' O Banestado foi vendido por R$ 1,4 bilhão em outubro de 2000 para o Itaú.
Neco Garcia afirma que o Banestado não fez propaganda para o governo Lerner. ''Existe uma lei estadual que proíbe as secretarias de Estado e autarquias de fazerem propaganda de suas atividades com verbas próprias. Tudo tinha que passar pela Secretaria de Comunicação. Logo, o Banestado não tinha como fazer propaganda do governo'', enfatizou.
Schlapak reforça o argumento de Neco Garcia. ''Minha assinatura não pagava nenhuma conta do banco. Como coordenador da Comunicação do Banestado, eu não tinha poder para utilizar as verbas do banco para propaganda. Nós nos limitávamos a elaborar as campanhas institucionais e enviá-las para o secretário de Comunicação Jaime Lechinski, que decidia se liberava a verba para a campanha ou não'', afirmou.
Assim como Lerner e Lechinski, Neco Garcia e Schlapak tiveram seus bens bloqueados pela 3 Vara da Fazenda no dia 29 de dezembro. No dia 9 de janeiro, porém, o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargador Oto Sponholz, cassou a liminar que decretava a indisponibilidade dos bens, alegando que não haveria perigo dos réus disporem de seu patrimônio até o término do julgamento da ação. A Folha tentou contato com Neco Garcia na última sexta-feira, mas ligou para um número incorreto. Ontem, ele ligou para a Folha para prestar esclarecimentos sobre o assunto.


