Curitiba - A Banestado Leasing teve um prejuízo de pelo menos R$ 5,9 milhões, em valores de 1998, quando fez um empréstimo de R$ 8 milhões ao shopping Aspen Park, em Maringá. Esse é um dos cálculos feitos por técnicos da CPI do Banestado na Assembléia Legislativa, que ontem ouviram os depoimentos de ex-diretores da corretoras e de responsáveis pelo projeto do empreendimento.
O empréstimo foi feito via Banestado Leasing Arrendamento Mercantil (Blam). Como garantia, a Blam ficou com 50% do shopping. O projeto sofreu problemas e houve necessidade de novos investimentos. De acordo com Carlos Antônio Ghesti, da C A Ghesti Engenharia Ltda. e o atual cônsul da Colômbia para o Paraná e Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Amasta, que na época comandava o grupo Amasta, participante do consórcio do shopping, o investimento parecia ter retorno garantido quando a Blam autorizou o empréstimo. Por causa das dificuldades econômicas do consórcio para quitar a dívida, o Banestado retomou a obra e a revendeu por apenas R$ 2,1 milhões.
A CPI questiona a alegação de que o consórcio não pôde honrar a dívida, já que empresas de grande porte faziam parte do consórcio do shopping. Entre eles estão o Kadima, de propriedade de Miguel Krigsner, sócio-proprietário de O Boticário e o Greenwich, de propriedade da família de Moyses Bergenson. Krigsner foi convocado a depor ontem, mas não compareceu. A CPI vai chamá-lo novamente.
O ex-diretor Jackson Ciro Sandrini ressaltou que a operação entre Banestado Leasing e a Aspen Park foi comandada pelo ex-diretor Osvaldo Magalhães dos Santos, morto em 1998 e acusado de causar prejuízos de cerca de R$ 400 milhões (para a CPI o valor chegaria a R$ 600 milhões) à Banestado Leasing.
Um dos proprietários do terreno onde o shopping foi construído, Gilberto Pasquinelli, compareceu à sessão da CPI como colaborador. Ele disse que entrou com várias ações contra o consórcio do shopping. Ele disse que teria direito a 19% do empreendimento e não concordou com o valor de venda de R$ 2,1 milhões. Dados do Banco Central e do cartório de imóveis de Maringá mostrariam que a obra estava avaliada em R$ 6 milhões.

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