Banestado investiga furos em bloqueio
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terça-feira, 11 de julho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
A diretoria do Banestado, em Curitiba, determinou ontem a abertura de uma nova auditoria interna para investigar agências de Londrina. Recentemente, auditores do banco apuraram a existência de contas fantasmas em agências da cidade, utilizadas para lavagem de dinheiro. Desta vez, o banco teria descumprido determinação do Banco Central (BC), que bloqueou no último dia 30 algumas contas bancárias. Essas contas, no entanto, teriam sido movimentadas pelos clientes, inclusive com saques.
O bloqueio determinado pelo BC atendeu decisão do juiz da 3º Vara Cível de Londrina, Vítor Roberto Silva. No mês passado, o juiz deferiu liminar proposta em ação civil pública do Ministério Público (MP) contra 37 pessoas, entre elas o prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati (PFL), e o deputado federal José Janene (PPB). Todos tiveram os bens indisponíveis, a quebra de sigilo bancário e, em alguns casos, o telefônico. A ação refere-se a 23 licitações fraudulentas realizadas na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), no valor de R$ 3,3 milhões. O MP apurou que nenhum dos serviços foi realizado.
Pelo menos um dos clientes do Banestado, Kakunen Kyosen, ex-presidente da Comurb (atual CMTU), confirmou que movimentou a conta no Banestado depois do dia 30. Não tive nenhum problema e estou movimentando normalmente. Que eu saiba não houve determinação, pelo menos oficial, para não movimentar a conta. O que houve foi a quebra de sigilo bancário. Estou com o cheque no bolso, disse ontem à Folha.
Kakunen acrescentou que não se lembrava de quando emitiu o último cheque do Banestado. Apenas afirmou que não fez nenhum saque no valor de R$ 300 mil, como chegou a ser ventilado pela imprensa nos últimos dias. Quem sou eu para ter esse dinheiro?, perguntou.
A Folha tentou falar com o superintendente regional do Banestado, José Collete, mas ele informou que só a assessoria de imprensa do banco estaria autorizada a dar declarações. Colette já foi chamado a depor no MP sobre a existência de mais de 30 contas fantasmas em agências do Banestado em Londrina.
Ontem, a assessoria de imprensa do banco, em Curitiba, informou que a direção só vai se manifestar sobre o eventual desrespeito ao bloqueio das contas em Londrina depois da conclusão da auditoria, que deve ocorrer no máximo em uma semana.
A informação de que o Banestado teria descumprido determinação do Bacen causou estranheza no Movimento Pela Moralização na Administração Pública. Seus representantes discutiram o assunto anteontem e resolveram pedir informações do caso ao MP, Bacen e Banestado.
Se for verdade, houve um desrespeito muito grande, um fato muito grave que deve ser esclarecido. Principalmente porque o banco integra a administração pública do Estado, comentou ontem o advogado Carlos Roberto Scalassara, coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina e membro do movimento.


